Arquivo da categoria 'Artigos'

23
Jun
10

andam fartos de nos avisar!

Ontem foi Espanha.
Este post poderia estar a ser escrito hoje como à mês e meio. Desde o inicio da crise Grega, que os países Europeus têm vindo a adoptar os mais variados planos de austeridade.
Pressionados pela especulação e pelo crivo dos mercados, todos têm optado pela mesma bitola. Austeridade, austeridade e austeridade, consequência, recessão, recessão e recessão.
Os cortes nos apoios sociais, nos serviços públicos, nos salários, na segurança social, despedimentos, subidas de impostos e a degradação na protecção ao trabalho, têm feito escola.
Quando o problema que enfrentamos é um problema de crescimento económico, reparamos que todas estas medidas, são contra natura. O crescimento só se repercute de três maneiras, através do investimento, do consumo e das exportações. Na área do investimento, temos três grandes dimensões: nos recursos humanos e reconversão dos trabalhadores, em maquinaria e tecnologia, e na educação/formação das crianças e jovens; na área do consumo, certamente que não passa por despedimentos, cortes de salários e cortes de apoios aos desempregados, cortes nas pensões e maior taxação sobre os rendimentos do trabalho; e na área das exportações, é preciso que se produza mas que haja quem compre, quando todos apostam não no seu consumo mas, apenas no consumo dos outros, todos vão perder e a dinâmica económica vai ser recessiva.
Para uma melhor percepção macro e mais transversal dos enormes erros que estão a ser cometidos na Europa deixo-vos este excelente post via politeia sobre o plano do modelo Alemão, as suas consequências, os sinais e a direcção que impõe dá para o resto da Europa, também sobre os planos de austeridade este post via carta Maior, que é bastante interessante pala forma que vai dissecando o problema da economia espanhola e do seu financiamento. O que para um leitor atento pode começar a reparar nas repercussões e no contágio que irá ter em Portugal, para finalizar, uma noticia do público em que o Paul Krugman (Nobel da economia) desfaz a politica monetarista da União Europeia e como o Banco Central Europeu, através do seu conservadorismo pode induzir novos riscos para a economia Europeia, como conflitos sérios com a Economia Americana.
Entre linhas o que vem dizendo é que com a actual politica expansionista (não tanto como ele desejava, mas ainda assim, expansionista) dos Estados Unidos, estes não vão entrar no jogo do ferrolho Europeu e portanto, para conservar os empregos e a dinâmica de aquecimento da economia que estão a tentar fazer através do seu endividamento, o proteccionismo económico face à Europa irá voltar.

18
Jun
10

José Saramago


Saramago morreu. É triste? É, mas Saramago deixa o legado das vozes livres. Elas não se calam com o seu desaparecimento.
Foram 87 anos, idealistas mas controversos, comunicantes mas comprometidos. E é, neste sentido, que podemos aplicar este provérbio popular, pois era aí que ele gostava de estar.
Por morrer uma andorinha não se acaba a primavera.
Como qualquer racionalista, sabemos que isto não é um até breve. Acabou! Mas a construção e a participação na nossa memória colectiva foi a sua existência e é no nosso presente e nas nossas referências para a construção do futuro que ele permanece.
Isto é Saramago.

18
Jun
10

O torniquete

Para começar este post, gostaria de começar pelas boas noticias, porque afinal de contas nem tudo é mau e nem toda a gente perde. No passado dia 16, o governo pagou a dívida de 450 milhões de euros que o BPP devia aos bancos com o aval do estado. Aval este, que foi considerado ilegal pelo Tribunal de Contas. De referir também que estes 450 milhões de euros são mais do que toda a receita cobrada a mais pelo aumento de 1% nas diferentes taxas do IVA.
1ª Só o aumento do imposto que vamos pagar, já teve destino e ainda não chegou.
Ficando contente por a vida não correr mal a toda a gente! foi de forma incrédula que ontem li a noticia do corte aos apoios sociais promovida pelo governo.
Bem a noticia começou por me chatear apenas um pouquito, porque lembrei-me da noticia do pagamento da divida aos bancos, e lembrei-me, que com toda a certeza quem mais iria sofrer com o aumento do IVA, era quem iria sentir na pele estes cortes.
Com alguma justiça pensei que talvez a banca pudesse contribuir para esse pagamento, e sei lá, pagasse o mesmo IRC que outra qualquer empresa, mas não, mais uma vez não iria ser assim.
E fiquei chateado, claro que fiquei chateado.
E entrámos no fado do costume. Então aqui vai.
Para mascarar estas medidas começaram por lançar laivos de justiça, dizendo que os apoios sociais seriam retirados a quem tivesse mais de 100 mil euros em dinheiro ou em acções, podendo a segurança social sempre que se justificar ter acesso às contas bancárias. Desde logo esta medida é pura demagogia.
Os portugueses que recebem apoio social e que necessitam dele não têm nem esse dinheiro nem muito menos esse valor em acções e depois não se percebe a quebra do sigilo fiscal só para esta medida (é porque não se vai utilizar, advogam-na para vender uma cara que não a têm), é que esta é requerida para o combate à corrupção e evasão fiscal há muito e aqui o governo nem sequer mexe.
E agora vem o pior os cortes chegam praticamente a todos apoios sociais: rendimento mínimo, subsídios sociais de desemprego e parentalidade, na acção social escolar, no ensino superior público, comparticipação de medicamentos e taxas moderadoras, entre outras. De pensionistas (mesmo as pensões mais baixas), a desempregados, de pessoas que recebem o salário mínimo, a deficientes, de grávidas a pessoas com mais de três filhos, todos e todas vão sofrer com isto. E adivinhem lá, nenhuma terá 100 mil euros em dinheiro ou acções.
O Secretário de Estado justifica estas medidas, com os argumentos de justiça e rigor, mas quando indagado sobre as consequências da justiça e do rigor, revela que as prestações terão na pratica um valor inferior ao actua,l permitindo encaixar 200 milhões de euros.
Como dizia um outro blog.
Porque é que dizem que são sempre os mesmo a pagar a crise?
Porque se calhar é verdade!

09
Jun
10

Vamo-nos preparando?

Com o anúncio de que o preço por quilómetro será de 8 cêntimos para a classe 1 nas portagens das scuts.
Muito rapidamente pode-se concluir que para ir de Ovar para Aveiro o preço será quase de 2,50 euros. Também já se sabe que se quisermos ir pela nacional 109, não poderemos sair perto do estádio de Aveiro, pois esse troço da A25 é pago até Aveiro cidade (pode-se ir para a praia de graça, vá lá.)
Para norte, paga-se até Esmoriz, a partir daí e até ao Porto tudo indica que não irá ser cobrado.
Portanto, das três uma. Ou se luta intransigentemente contra a introdução das portagens, ou então escolha, filas ou euros.
No entanto tanto a paciência como o dinheiro são coisas que vão começando a escassear.

Cliquem no cartoon para ampliar, porque é isto que vai acontecer.

06
Jun
10

A Democracia debaixo de Fogo

Por ser também a minha opinião, publico este post.
Também uma pequena observação.
Não é revelado neste artigo, mas defendo alterações ao sistema eleitoral e também aqui partilho em grande parte das ideias de um estudo feito pelo André Freire.
É um estudo que deverá ter pelo menos um ou dois anos.
Muito sucintamente. Propõe que os deputados sejam escolhidos por listas tal como acontece agora, mas que o eleitor possa votar também no seu deputado, não, não são círculos uninominais (que sou radicalmente contra), o partido terá sempre o número de deputados consoante a sua votação tal como hoje, o que não acontece obrigatoriamente é que o(s) deputado(s) que são eleitos tenham que ser obrigatoriamente o indicado pela ordem do aparelho partidário.
Um exemplo: Eu que sou eleitor no distrito de Aveiro, hoje ao votar no partido A, estou a contribuir para que o primeiro, depois o segundo e assim sucessivamente, na lista de candidatos a deputados, sejam os eleitos através do meu voto.
Nesta proposta alternativa, eu posso escolher o candidato que quero que seja eleito pelo partido A, contando sempre o meu voto para a representação partidária no parlamento da república.
O que se ganha: Mantém-se a proporcionalidade na representação partidária, continua-se a votar em conteúdos programáticos concretos, decorrentes do programa eleitoral a que cada partido se apresenta às eleições, evitando-se (não totalmente, mas atenua-se bastante) a vergonhosa situação dos deputados serem escolhidos por critérios que nada tem a ver com competência, mas sim com amiguismo, compadrio, subalternização e subserviência perante o aparelho partidário e por fim, promove-se uma maior aproximação entre deputados e eleitores, pois o trabalho dos deputados e partidos começarão a ser melhor reconhecidos e avaliados pelas populações, têem é que trabalhar para isso!

Se o mundo e as pessoas fossem todas sérias estas soluções eram escusadas e o actual modelo seria bom, como tal… estou com o André Freire.

“Há por aí uma petição que pede uma redução do número de deputados de 230 para 180. Os peticionários alegam razões de natureza “económica”, “moral” e “ética”. Defendem que a fixação do número de representantes no limite (constitucional) superior (230) resulta de “falta de bom senso político”, “oportunismo partidário” e “ignorância sobre o que se passa noutros países”. A petição está mal escrita e revela, primeiro, um profundíssimo desconhecimento da matéria; segundo, não têm razão quanto aos argumentos económicos; terceiro, revela uma atitude populista, anti-política, anti-partidos e, no fundo, contra a própria democracia. Vejamos porquê.

Em primeiro lugar, a petição revela um profundo desconhecimento da matéria versada e faz acusações gratuitas que raiam o insulto. Vários estudos têm revelado que o nosso país não tem um número excessivo de deputados, e a imprensa deu abundante eco deles. Por exemplo, Paulo Morais, comparando Portugal com os outros países da UE, demonstrou na revista Eleições (nº 5, 1999, DGAI-MAI) que o número de deputados é adequado à nossa dimensão populacional; a fazer-se algum ajuste devia ser para 220. Num estudo mais recente (Para uma melhoria da representação política. A reforma do sistema eleitoral, Lisboa, Sextante, 2008), comparando os números médios de eleitores por deputado na Câmara Baixa de cada país (Portugal versus a UE 27+3), demonstrou-se, mais uma vez, que o número de deputados é adequado à nossa dimensão populacional.

E porque é que o número de deputados é importante para o funcionamento da democracia? Primeiro, por causa da representação territorial, sobretudo das zonas menos populosas. Por exemplo, com o sistema actual, algumas regiões do país têm já muito poucos deputados e, se se reduzisse o seu número para 180, ficariam com menos ainda: Portalegre (2 para 2), Beja (3 para 2), Évora (3 para 3), Bragança (3 para 3), Guarda (4 para 3), Castelo Branco (4 para 3), Açores (5 para 4), Vila Real (5 para 4), Viana do Castelo (6 para 4) e Madeira (6 para 4). Segundo, porque o número de lugares por círculo tem um impacto crucial no nível de proporcionalidade do sistema eleitoral: influencia de forma determinante o pluralismo na representação política. Exemplificando, num círculo com 10 deputados são precisos, em média, cerca de 7,8 por cento dos votos para um partido poder eleger um representante; num círculo com 5 são 13,3 por cento; num com 3 são 18,8 por cento; etc. Portanto, como uma redução do número de deputados levaria a uma diminuição do número de lugares por círculo, isso levaria a menor possibilidade de representação parlamentar dos pequenos partidos, sobretudo nos círculos mais pequenos. Os nossos concidadãos nessas regiões seriam duplamente prejudicados: teriam menos representantes e menos opções viáveis, logo seriam (mais) constragidos ao voto útil (nos dois grandes). Isto poderia levar à redução do pluralismo, com custos para a democracia, e a um aumento da abstenção (para os concidadãos que, apesar de constrangidos, não quisessem votar útil…). Se há algum dado seguro da sistemática eleitoral é o de que uma menor proporcionalidade implica menor participação.”

Por André Freire

Publicado também no ladrões de bicicletas

31
Mai
10

O poder da mentira

No sábado, fui uma das centenas de milhar de pessoas que foram à manifestação em Lisboa. Uma grande manifestação.
No final quando nos reunimos no autocarro para fazermos a viagem de regresso, contaram que tinha existido problemas com a policia. Achei estranhíssimo, pois tudo tinha corrido dentro da normalidade e a desmobilização decorreu tranquilamente. Quando cheguei ao Porto contaram-me o que tinha acontecido e desvalorizei o episódio, apenas com o amargo de boca, que mais uma vez a policia interviu despropositadamente e que pudesse existir algum aproveitamento do caso e branqueando assim a noticia que foi a manifestação.
Por isso quando fui ver as noticias e quando vi esta miserável e vergonhosa reportagem da RTP 1 que inventava uma fábula para aquilo que tinha acontecido.
E eis o que aconteceu. A noticia do Sol explica.
“Tudo começou devido a um desentendimento entre um cliente de um café e um empregado desse mesmo estabelecimento que chamou de imediato a polícia.
Logo de seguida chegaram cerca de 20 polícias, incluindo elementos do corpo de intervenção, armados com carabinas, para tentarem apaziguar os ânimos.
No entanto, no local encontravam-se centenas de pessoas que tinham participado na manifestação contra o Governo, convocada pela CGTP do dia de hoje, e após algumas trocas verbais, a polícia começou a agredir manifestantes.
Os membros do corpo de intervenção da polícia começaram a agredir as pessoas presentes no local com bastões e alguns elementos da polícia à paisana agarraram em alguns manifestantes, atirarando-os para cima de esplanadas e contra as montras dos restaurantes.
Cerca de 20 minutos depois da confusão se ter instalado, a polícia chamou reforços de modo a ajudar as restantes forças políciais a se retirarem do local.
A maior parte dos polícias no local não se encontravam identificados.”
É este o poder da mentira.

27
Mai
10

Já que na televisão não passa. passamos nós.

Via ladrões bicicletas publico um post sobre a entrevista do economista João Ferreira do Amaral ao Jornal de negócios. Pela seguinte razão, na praça (sobretudo televisão e a maior parte dos jornais) de vinte economistas ouvidos, dezanove pertencem ao unanimismo do pensamento único financeiro. Hoje estamos a fazer serviço público, dedicamos espaço ao pensamento económico .

«Hoje é relativamente consensual que a entrada na zona euro foi a principal razão da perda de competitividade.»

«(…) a baixa da taxa de juro não é necessariamente uma benesse. Tudo depende do que vamos fazer ao crédito. E, com uma taxa de câmbio desajustada, como nós tínhamos, foram criados incentivos para a aposta no sector não transaccionável, o que criou a dívida insustentável que temos agora.»

«Mesmo que [uma queda de 20 a 30% dos salários] fosse socialmente exequível, a medida acabaria por ser ineficaz. Repare que o conteúdo de salários das exportações é de 30%. Se, por absurdo, se cortasse 30% nos salários, a nossa competitividade apenas aumentava 9%. Bastava uma oscilação do dólar para essa vantagens desaparecer.

«É melhor pensar em coisas exequíveis, como negociar com a Europa uma forma de alterar as instituições (…). Não tenhamos ilusões: se não conseguirmos uma alteração do enquadramento da Zona Euro, não estaremos muito mais tempo dentro dela.»

«A Europa não percebe que quantos mais planos de austeridade fizer mais ataques especulativos ela vai sofrer.»

Continuar a ler aqui

13
Mai
10

Fotojornalismo

Há dois dias atrás tinha aqui postado sobre a World Press Photo, para quem gosta de fotojornalismo é uma exposição sempre marcante. Nunca saímos de lá como quando entramos.
Por coincidência tinha mostrado a uns amigos meus estas fotos publicadas no El País, que por causa dos direitos de autor não as pude publicar, mas hoje ao passar pelo 5 dias deparei-me com este grande vídeo que conta essa mesma história.
Não é nenhum tributo há violência, mas sim há forma como se conta uma história, centrando-se numa personagem (um cão), o manifestante Grego. Muito mais que o vídeo, as fotos do El País é que são impressionantes.
São fotos que para o ano estarão no World Press Photo. Digo eu.

10
Mai
10

Para que não sejamos acríticos

É já no dia 20 de Maio que vai decorrer a projecção no Bar Centro de Arte o próximo filme da Mostra de Cinema Independente (Sicko de Michael Moore). Mas não é por causa do próximo filme que escrevo, mas sim por causa do anterior o que decorreu no passado dia 22 de Abril (Neste Mundo Livre) do Ken Loach. Ao passar pelo site da Cinemateca Portuguesa vi que vai passar no dia 17 de Maio este mesmo filme apresentado pelo Manuel Carvalho da Silva. É também com esta perspectiva que fazemos este Ciclo de Cinema.
Conhecer, pensar e debater. Para que não sejamos acríticos.

10
Mai
10

“O fascismo Financeiro” por Boaventura Sousa Santos

Artigo publicado na última visão de 6 de Maio.

“Há 12 anos publiquei, a convite do dr. Mário Soares, um pequeno texto (Reinventar a Democracia) que, pela sua extrema actualidade, não resisto à tentação de evocar aqui. Nele considero que um dos sinais da crise da democracia é a emergência do fascismo social. Não se trata do regresso ao fascismo do século passado. Não se trata de um regime político, mas antes de um regime social. Em vez de sacrificar a democracia às exigências do capitalismo, promove uma versão empobrecida de democracia que torna desnecessário e mesmo inconveniente o sacrifício. Trata-se, pois, de um fascismo pluralista e, por isso, de uma forma de fascismo que nunca existiu. Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro. Retomo o que então escrevi.”
Ler o resto do artigo na página da revista visão

04
Mai
10

Viva o mercado. Gosto particularmente do de Olhão

Mais um dia, nada de novo. Os mercados, sempre os mercados, essa entidade esotérica, que manda, manipula, rege, e se auto regula. Mas afinal a quem se destina o mercado? Qual a sua função na economia? Que papel têm as agências de rating? Qual o papel da Bolsa?
Podia continuar, mas sempre que respondo a uma destas e outras perguntas, nunca encontro as pessoas. Será que há economia sem pessoas?
Algumas noticias e artigos  do nosso maravilhoso mundo.
“Euribor a 12 meses já está nos 1,240%” a noticia no Diário Económico
“Zapatero defiende el proyecto europeo frente a las “dudas” de los “egoístas” con “escasa perspectiva de futuro” a noticia aqui no El país
“Quem vai pagar a consolidação orçamental alemã:” leiam o dossier Crise, no blog ladrões de bicicletas
“A Eurolândia arde: futuro da Grécia na mãos dos mercados ” artigo de Michael Kratke no Carta Maior

04
Mai
10

Responsabilidades

cartoon publicado hoje no JN

Quando ouvi a noticia que um conjunto de economistas, todos ex-ministros das finanças, marcaram uma audiência com o Presidente da República por causa do estado do país, não quis acreditar.
O que é que vão lá fazer? É que quem os ouve falar todos os dias, parece que nenhum deles teve responsabilidades governativas e parece que não são corresponsáveis pelas politicas seguidistas em relação a um grande Bloco central de interesses.
Claro que vai ser uma conversa cordata, e sem sobressaltos, todos sabem o que uns e outros vão dizer, todos falam a mesma linguagem e provêm todos da mesma escola económica.
O que não percebo é com que legitimidade. Apenas um pequeno exemplo: João salgueiro, um dos promotores desta iniciativa foi Ministro das Finanças, tendo sido até à pouco tempo presidente da Associação de Bancos Portugueses. Algumas das questões que o preocupa, é o forte endividamento país (tanto endividamento público e privado), é estarmos a viver acima das nossas possibilidades, são os investimentos públicos, é a forte componente social na despesa do estado, etc…
Agora há aqui qualquer coisa que eu não estou a perceber, nunca o ouvi falar da forma irresponsável que o crédito e o assédio que as instituições financeiras fizeram durante estes últimos dez anos aos seus clientes, dando-lhes e prometendo-lhes o céu quando estes não tinham rendimentos que sustentassem um, dois, três… créditos, era à vontade do freguês; nunca o ouvi falar da vigarice permanente entre agentes imobiliários e bancos na avaliação das casas, fazendo de um crédito à habitação, crédito para os electrodomésticos, para o plasma e para a lua de mel; sempre o ouvi falar a favor dos investimentos públicos suportados e alavancados pelas engenharias financeiras (project finance) da Banca; Também sempre o ouvi defender as parcerias público privadas, coisa que só para termos uma referência, o Tribunal de Contas nas suas seis últimas avaliações a este tipo de projectos chumbou-os a todos.
O que será que lá vão eles dizer?

25
Abr
10

25 de Abril

Daqui a umas horas vou estar com cerca de uns milhares de pessoas na manifestação em comemoração do 25 de Abril.
É simbólico? Sim. Nostálgico? É com tristeza que digo: – também.
Foi péssima a semana que antecedeu esta data.
A recusa de Rui Pedro soares em depor na Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI e a absolvição de Domingos Névoa no caso de corrupção a José Sá Fernandes, violam e põem a nu o que de mais sinistro representam neste momento os valores da democracia portuguesa.
Estes não foram os valores de Abril.
Hoje não vou falar mais nestes casos, mas nesta semana que vem vai ter que ser. Estamos a ficar sem referências e com a justiça a produzir sentenças destas, não imagino uma pessoa séria a recorrer a ela para resolver os seus problemas. Uma pessoa séria porque, Rui Pedro Soares invocou o silêncio na comissão para melhor se defender nos tribunais.
Antes de acabar, quero só fazer a chamada para a primeira página do Jornal de noticias.
Quem a fôr ver, apenas tenho um comentário: É triste em qualquer dia, mas neste em particular.
Portanto quando hoje gritar – 25 de Abril Sempre, não vai ser de alegria, mas de revolta, indignado, mas pronto para o combate.
25 de Abril, SEMPRE.

24
Abr
10

Aqui há lampreia

Hoje deixamo-vos com um registo etnográfico realizado pelo Lino Cabral.
Filmado na ria de Aveiro, o Lino acompanhou o Carlos, um pescador deste ciclóstromo.
Uma iguaria para muitos, uma forma de subsistência para outros, a arte e o saber da pesca e amanho da lampreia assume-se ainda como uma das artes que sazonalmente vão acompanhando as comunidades piscatórias de grande parte dos rios Portugueses.
1ª Parte – A Pesca, 2ª Parte – o Amanho
Peça enviada por e-mail.

21
Abr
10

Trabalhar não compensa!

No diário económico de hoje lê-se que Passos Coelho acha absurdo que o imposto sobre as mais valias bolsistas seja mais do que 15%.
As empresas pagam 22% de IRC, e eu fui ver o meu recibo de ordenado e cerca de 20% fica logo retido em impostos. Estranha esta forma de promover o jogo, o casino, as aplicações não produtivas e a especulação em detrimento, do trabalho da produtividade, da produção e de quem cria valor.

07
Abr
10

Precários – cada vez somos mais

Festa MayDay PORTO
O MayDay Porto está na Rua e organiza uma festa

Quando: Sábado, 10 de Abril
A que horas: 22h00
Onde: Fábrica da Rua da Alegria (Rua da Alegria, nº341). Porto

O que vai acontecer:
Haverá teatro, música, filmes e muita animação com a participação (entre outros) de:
- Erva Daninha
- DJ Ruba Linho
- DJ’s Golpe de Estado (RUC)

Porquê: o MayDay está aí chegar! No dia 1 de Maio, o precariado sai à rua e faz ouvir a força da sua voz!
Quem é o PRECARIADO?:

- somos 2 milhões de pessoas que não têm um vínculo estável de trabalho;
- somos 900 mil falsos recibos verdes;
- somos 400 mil pessoas contratadas através de empresas de trabalho temporário,
- somos bolseiros/as de investigação científica;
- somos 600 mil pessoas que estamos desempregados/as;
- somos todos/as os/as trabalhadores que estão solidários/as com esta luta pela dignidade laboral e pelo direito ao trabalho com direitos

NO SÁBADO, DIA 10, APARECE NA FÁBRICA E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!

http://maydayporto.blogspot.com/

30
Mar
10

Porque é que somos um dos países mais desiguais do mundo

A noticia do público de hoje é esclarecedora. Há dois anos, três quartos dos empregados tinham um salário inferior a 850 euros. Após a crise passaram a 70 por cento. Num período de diminuição de todas mas, mesmo todas as politicas sociais, encontramos aqui claramente descrito quem mais sofreu com a crise económica e quem mais vai pagar e sofrer com o ajuste e “equilíbrio” das contas públicas.
Muito simplesmente baixou o número de pessoas com salários mais baixos e mais precários, não porque passaram a ganhar mais, mas sim porque deixaram de trabalhar.

25
Mar
10

O PEC tem que servir alguém. Quem será…


Através da agência Reuters, fiquei a saber de um “desenvolvimento bizarro na crise da dívida grega”. A Alemanha e a França estão a usar a crise da dívida como alavanca para “persuadir” a Grécia a comprar material de guerra. A expropriação financeira das periferias tem muitos mecanismos. Os nossos submarinos estão seguros, claro: mil milhões de euros para a indústria alemã. Alguém tem de comprar os produtos do centro, nem que para isso seja necessário cortar nas despesas sociais…
Texto do João Rodrigues no arrastão e o cartoon proveniente do ladrões de bicicletas, também no ladrões de bicicletas e sobre este assunto pode ler aqui um bom texto do Ricardo Paes Mamede.

17
Mar
10

E a água? Também querem privatizá-la?

Através dos mail`s que chegaram sobre a temática da questão da água e porque é um tema fundamental para o debate da nossa vida colectiva, hoje, este é um post que vem com atraso, mas vem, e isso neste momento é a única coisa que podemos fazer.
Na passada sexta feira dia 12 de Março ocorreu uma sessão pública sobre a proposta da Câmara Municipal de Ovar para entrar no sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento. Neste momento está uma petição a correr com o titulo “diga não ao negócio da água”. Os argumentos são os seguintes:
“Depois de um momento de hesitação, a Câmara Municipal de Ovar prepara-se para entrar no sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento, aderindo formalmente à empresa Águas da Região de Aveiro, SA (AdRA). Desta forma, a C.M.O. vende a nossa rede de água e saneamento e abdica desta sua competência fundamental. Os contornos deste negócio são gravíssimos e ferem as populações num direito fundamental como é o acesso à água.”
Pode ler o resto da petição e assiná-la aqui.

10
Mar
10

Predação


Cuidado porque estão-nos a ir ao bolso. Com o anuncio do programa de privatizações há coisas que podemos ter como certas:
1. Vamos privatizar monopólios, a partir do momento que estas empresas sejam privatizadas, o mercado e a especulação é quem vai determinar os preços da electricidade, dos custos aeroportuários, etc… (para os que gostam tanto da opção, só dou um exemplo, o escândalo dos custos e da formação dos preços dos combustíveis.
2. Como é que um país que não controla ou não tem participação em sectores basilares como as comunicações, energia, transportes, Banca e seguros pode ter a capacidade de desenvolver politicas públicas de influência e actuação na desregulamentação e perversão que o actual modelo económico impõe.
3. Como é que alguém pode entender que recursos e empresas em sectores chaves para o desenvolvimento do país, das empresas e das pessoas não terão que ser públicos, mas sim, deste ou daquele grupo económico, em que a visão mercantilista se sobrepõe a qualquer outro interesse
4. como se costuma dizer ficam os dedos e vão-se os anéis. Pois bem, e depois? É que a vida não se esgota nestes dias que o Sócrates está no Governo, quando de lá sair a vida continua. Claro que ele há-de ser administrador de uma destas empresas ou de outra qualquer, mas nós continuaremos cá. Depois não há volta a dar, aquilo que nos foi tirado não é devolvido.

09
Mar
10

PEC (O nosso segredo mais bem guardado)

Desde ontem que não sei bem onde estive nestes últimos meses.
Foi ontem apresentado o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e, segundo o que li e ouvi do seu conteúdo, nada de parecido tinha sido dito até então, bem pelo contrário. Vejamos.
As grandes obras públicas eram imprescindíveis ao desenvolvimento económico e para a recuperação, parece que já não é assim; o corte dos benefícios fiscais em sede de IRS na educação e na saúde era um sacrilégio, parece que já não o é; as privatizações tinham sido congeladas por causa da instabilidade dos mercados, parece que a instabilidade desapareceu; o investimento público era prioritário, parece que já não o é; era, impensável em momentos, de crise cortar nas politicas sociais, parece que já não existe crise social; as pensões mais baixas iriam ter aumentos de forma a conferir dignidade a esses pensionistas, afinal parece que já não é assim, os duzentos e tal euros que ganham e, pelo facto de serem pensões que não resultam de contribuições, são afinal acções benévolas e caridosas de um estado com responsabilidade e justiça social; os impostos não iriam aumentar, parece que também aqui a coisa não vai ser bem assim.
Antes de qualquer outra análise, que aqui farei, uma coisa pode ser dita com propriedade, até à umas semanas atrás o discurso e a retórica foi mentirosa e propagandística. Estes tipos não merecem respeito nem credibilidade.

08
Mar
10

Dia Internacional da mulher

Não costumo ligar muito a estes dias mundiais de qualquer coisa mas, há temas em que se deve dizer qualquer coisa.
Alguns dados:
1-Elas são quem mais trabalha, mas menos ganham.
2-Elas são quem mais têm habilitações e quem mais frequenta o ensino superior, mas têm a maior taxa de desemprego (o dobro em relação aos homens) e que menos lugar de chefia ocupam.
3-E para finalizar, é quem mais sofre e violentada é, quer ao nível laboral (gravidez, apoio aos filhos, etc..) quer ao nível das relações pessoais (caso da violência doméstica).
No entanto há uma coisa em que são imparáveis. São utilizadas para vender tudo, como é o caso da publicidade. De rolhas, a pneus, passando pelo gás, ninguém as bate. E é aqui que aprece a super bock stout. Corre pelo facebook uma petição de protesto contra a nova publicidade da super bock stout. Os argumentos são os seguintes:

Recentemente, a empresa UNICER, detentora da marca Super Bock, produziu uma série de anúncios (de cartazes e televisão) que, cremos, violam o articulado constitucional, as regras da publicidade, bem como os princípios expressos no III Plano Nacional para a Igualdade, mas, sobretudo, ofendem-nos enquanto mulheres e homens apostados na construção da igualdade de género.
Referimo-nos, concretamente, aos anúncios Super Bock Stout – SPA e Super Bock Stout – Abertura Fácil.
Estes anúncios, em nosso entender, discriminam e atentam contra a dignidade das mulheres ao fazerem a apologia de papeis sociais diferenciados, ao plasmarem que a diversão é um não só um exclusivo masculino, mas que esta é conseguida através da relação servil das mulheres.
As mulheres são retratadas nestes anúncios como objectos ao serviço da fruição masculina, veiculando estes um discurso de claro separatismo, de papeis sociais diferenciados, sendo que uns detêm privilégios e outras servidão.
Podem ler mais e assinar a petição aqui

05
Mar
10

Defesa da Orla costeira. Contributo de Marco Lyra

Após o comentário feito por Marco Lyra no post Furadouro, Que futuro, aqui fica o seu contributo para o debate. Neste vídeo explica o processo de decisões e opções que se tem feito no Brasil na região de Alagoa para o mesmo problema. Com o avolumar de problemas tiveram que procurar soluções e enquadramentos alternativos. E assim foi. Apostaram numa nova tecnologia e os resultados começam a chegar.
Como é evidente não podemos nem temos elementos para dizer, que é um sistema que se aplique em todo o lado e cumpre os objectivos para qualquer situação.

03
Mar
10

Furadouro. Que futuro?

Não é novidade para ninguém que o avanço do mar é uma realidade. Se não nos entrasse pelos olhos a dentro, talvez alguns pensassem que seriam mais uma vez as vozes dos profetas da desgraça. Mas não. É factual e incontornável. Perante isto, que fazer?
O avanço e subida do nível mar tem várias explicações: as alterações climáticas, a disseminação das barragens nos nossos rios, impossibilitando a reposição de inertes que seriam levados até à foz e consequentemente a sua deposição na costa, a construção de esporões, que resolve os problemas localmente mas que agrava os problemas significativamente noutros locais.
Mais teses existem sobre a origem do problema, mas impõem-se agora perceber quais as saídas que existem. Também aqui a resposta não é fácil, pois não existe uma solução milagrosa, apenas soluções para atenuar o problema, e aqui a solução comunmente apresentada pelos mais diversos estudos na área são: a alimentação artificial das praias e a consolidação das barreiras naturais (impedindo a construção, criar locais de não passagem de pessoas e veículos para assegurar os cordões dunares, etc…). Como qualquer saída para a resolução de um problema, e logo um desta envergadura contra um “inimigo” invencível, existem alguns entraves para a sua realização:
1. Volumes de areias necessários
2. Qualidade dos sedimentos e exigências ambientais
3. Granulometria dos materiais
4. Necessidade de trabalhos periódicos
5. Custos associados
6. Forte perturbação dos ecossistemas (locais de extracção/deposição).
Outra questão é a da sustentabilidade. Mesmo com este tipo de intervenções asseguraremos a nossa costa como ela existe, ou melhor dizendo asseguraremos a existência de praias? E toda uma economia local alicerçada na sazonalidade da deslocação de pessoas em férias que asseguram a dinamização e o sustento de milhares de pessoas.
Penso que em alguns locais será impossível, e como tal, é necessário desde já começar o debate, arranjar soluções e projectar a requalificação e replaneamento de alguns locais que com o actual modelo de desenvolvimento e sobrevivência económica vão-se tornar inviáveis. Para terminar, também a questão dos custos associados à manutenção das estruturas existentes e das intervenções a efectuar. Estas vão ser ciclópicas e por um período temporal infinito, das três uma, ou existe uma opção e afirmação de vontade colectiva que esteja visível anualmente no orçamento de estado, ou existe uma politica europeia comum com orçamento próprio, ou começa-se a estruturar as cidades as vilas e aldeias para que a prazo, o mar tenha que entrar até onde tenha que ir. Nenhuma opção é ideal e tem custos associados, uns financeiros, outros emocionais, outros chocam com a nossa memória e a própria noção histórica e identitária do país e do território. Não fechemos é os olhos e assobiemos para o lado, porque o mar não vai descer e nós não podemos eternamente fugir… às nossas responsabilidades.

24
Fev
10

O sexto sentido de Estado – Por Ricardo Araújo Pereira

Crónica semanal na revista Visão.

“Quando, na semana passada, o PS desafiou a oposição a apresentar uma moção de censura ao Governo, a política portuguesa ficou subitamente mais difícil de compreender. Os nossos políticos, que são pessoas bastante lineares, curiosamente produzem uma política muito complexa. Resumindo, o que se passa é isto: neste momento, Portugal tem um Governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se. O primeiro-ministro deseja controlar os jornais, mas não consegue evitar que os jornais o descontrolem. E acusa os jornalistas de fazerem jornalismo de buraco de fechadura quando a porta está, na verdade, escancarada.

Façamos uma história breve do que tem sido o Governo de Portugal nos últimos anos. Primeiro, Durão Barroso saiu, porque foi chamado pela Comissão Europeia. Sócrates não sai mesmo que lhe chamem tudo. Pelo meio, Santana também saiu, mas contra a sua vontade. Um sai porque quer, o outro sai sem querer e o último não sai nem que toda a gente queira. Antes de Durão, já Guterres saíra, porque tinha coisas combinadas e o Governo do País atrapalhava-lhe a agenda. Dos últimos quatro primeiros-ministros, só 50% quis manter-se no lugar, facto que imediatamente os torna suspeitos”. Continuer a ler aqui

12
Fev
10

“O Chefe”

Depois da publicação das escutas que hoje vêm no Sol (em cima a ilustração da 1ª Página) Sócrates definitivamente acabou. Resta saber como vai ser.
Há uns dias que a história me tem revisitado. Lembram-se quando o General Humberto Delgado foi questionado, sobre o que faria ao Presidente do Conselho (Salazar) se ganhasse as eleições?
Disse, “Obviamente demito-o”

03
Fev
10

Tindersticks, não em Lisboa ou no Porto, em “Portugal”!

Este é um óptimo exemplo de como a descentralização da oferta cultural deve e pode ser feita.
Noutra área cultural completamente diferente, o cinema, é inacreditável como o Doc Lisboa, em minha opinião o melhor festival de cinema português, está à anos e anos sem sair de Lisboa.

Tindersticks 3 de Fevereiro - Caldas da Rainha – Centro Cultural e de Congressos 21:30 20-25€
Tindersticks 4 de Fevereiro - Guimarães – Centro Cultural Vila Flor
Tindersticks 5 de Fevereiro - Sintra – Centro Cultural Olga Cadaval 22:00 20-30€
Tindersticks 6 de Fevereiro - Guarda – Teatro Municipal 21:30 15€
Tindersticks 7 de Fevereiro - Estarreja – Cine-Teatro 21:30 20-25€

27
Jan
10

Habemos Orçamento

Foi ontem apresentado o Orçamento de estado para o corrente ano!! Até aqui nenhuma novidade, não fosse o caso que pela segunda vez consecutiva a coisa corre mal.
Incorporando o espírito Tuga, deixar-se sempre tudo para o último dia e para a última hora, a pen que deveria conter a proposta de orçamento foi entregue, mas não continha nada lá dentro. Na verdade foi entregue já fora do prazo legal pois o conteúdo só foi entregue na manhã seguinte. Este ano (ontem) foi também entregue no último dia. Esteve para ser entregue às 19:00 horas, depois às 20:00, depois para as 22:00, até que finalmente meia hora depois havia orçamento. Confrontado com o caso o Ministro das Finanças dizia que tinha que o entregar até dia 26 logo ainda estava dentro do prazo e que “Eu trabalho 24 horas por dia. E de noite, se for preciso, também.”
Como não discuto a questão do prazo, e como isto parece que está sempre envolto em grandes peripécias, propunha que adoptássemos um modelo mais interessante para todos, jornalistas, cidadãos e governantes. No último dia de entrega do orçamento, de hora a hora houvesse quase um ritual, como no conclave, se houvesse orçamento existiria fumo branco do Ministério no Terreiro do Paço, se não, fumo preto.
Pelo menos isto tornava-se um pouco menos deprimente e foto-jornalístico, porque deprimente é-o de qualquer maneira.
Quanto ao Orçamento amanhã direi qualquer coisa. Uma coisa é certa, numa análise muito superficial, as grandes opções são as mesmas de à sete ou oito anos para cá. Cortes nos salários e pensões, no investimento e a retoma das privatizações. Politica e estratégia económica, uma vez mais parece não existir.

26
Jan
10

A década entra mal (Boaventura Sousa Santos)

Publicado na Revista Visão de 14 de Janeiro
Boaventura Sousa Santos ver aqui

Qualquer cidadão do mundo que tenha o privilégio de não estar preocupado com a sua sobrevivência amanhã e ouça, leia ou veja as notícias – um privilégio, porque pertence a uma pequeníssima minoria dos 6.8 biliões de seres humanos – tem razões para estar perplexo e apreensivo. E teria ainda mais razões se soubesse do que não sai nas notícias dos grandes meios de comunicação.

No dia de Natal um jovem nigeriano quase fez explodir um avião enquanto este se preparava para aterrar numa cidade norte-americana. Se tivesse tido êxito teriam morrido centenas de pessoas entre passageiros, tripulantes e habitantes da zona onde o avião caísse. A perplexidade é esta: como é possível que isto tenha acontecido no país detentor das mais sofisticadas tecnologias de vigilância e segurança e, para mais, quando o jovem extremista era conhecido dos serviços secretos e tinha sido denunciado pelo seu próprio pai junto das embaixadas ocidentais? Como é possível que o país mais poderoso do mundo tenha revelado tal debilidade? A apreensão é esta: como vão os EUA reagir? Vão abrir mais frentes de guerra? Depois do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão seguir-se-á o Irão, que as notícias dizem ter afinal planos para construir uma bomba atómica, e o Iémen, onde o jovem terá sido treinado? Que outros países se seguirão? Poderá algum país estar livre de vir a ser alvo desta guerra?

A perplexidade redobraria se ao cidadão chegasse notícia de duas especulações perturbadoras: os serviços secretos correram o risco de fazer entrar o jovem nos EUA porque o pretendiam contratar como agente duplo, tal como se especula que o mesmo terá acontecido com os serviços secretos dinamarqueses, que igualmente conheciam bem quem tentou matar o cartoonista; a informação sobre o jovem foi deliberadamente bloqueada para que o atentado ocorresse e criasse uma onda de revolta que levasse a opinião pública norte-americana, não só a justificar mais guerras numa região rica em petróleo, mas também a pensar que um presidente negro e com o nome intermédio Hussein não lhes garante segurança e lhes está a roubar um país que foi feito por brancos e para brancos. Especulações disparatadas? A perplexidade maior é que sejam de todo feitas.

E a apreensão se transformaria em revolta se o cidadão comum soubesse: que, tal como o Iraque não tinha armas de destruição maciça, o Irão não tem nenhum programa de bomba nuclear, o que aliás está atestado por 16 agências do governo dos EUA, e que apesar disso Israel e os EUA continuam a preparar um ataque ao Irão; que os perigosos inimigos de hoje foram financiados no passado para destruir o nacionalismo de esquerda emergente, tendo sido assim que Israel financiou o Hamas contra o movimento de libertação palestiniana, e os EUA, os talibãs contra o governo de esquerda e seus aliados russos; que a guerra supostamente patriótica e para defender a democracia está a ser crescentemente travada por forças mercenárias, para quem a guerra é um negócio (no atentado bombista de 30 de Dezembro no Afeganistão – cometido por um agente duplo jordaniano contratado pelos EUA para chegar à liderança da Al Quaeda – dois dos “agentes” da CIA mortos eram, de facto, mercenários da empresa Blackwater, considerada o exército mercenário mais poderoso do mundo); que os maiores custos da guerra, para quem a sofre, são os que não são contados como tal, de que é exemplo trágico a epidemia de cancro e de bebés nascidos com deformidades que está a assolar o Iraque, relacionada com o urânio deixado no solo pelas bombas “aliadas”, um problema que, aliás, começa também a afectar os soldados aliados e os seus filhos; que no centro das desgraças que se advinham está um dos povos mais indefesos e abandonados do mundo, os palestinianos, encarcerados no seu próprio país, à mercê um Estado ocupante, racista, com armas nucleares que nunca deixou inspeccionar, apoiado por um declinante centro do império e por um dos seus mais servis lacaios (o Egipto).

14
Dez
09

Dia Mundial dos Direitos Humanos

Estátuas Humanas

“Foi a 20 de Junho de 1945, através da Carta das Nações Unidas, que os povos expressaram a determinação em proclamar “a fé nos direitos fundamentais do Homem, na dignidade e valor da pessoa humana, na igualdade de direitos entre homens e mulheres.” Três anos depois, a 10 de Dezembro de 1948, na sua resolução 217 (III), a Assembleia-geral das Nações Unidas adoptou e proclamou a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Pergunta-se, pois: o que se comemora, hoje, dia 10 de Dezembro?
Comemora-se o triunfo de uma ideia: de que todos os homens, independentemente do sexo, da cor, da ideologia ou religião, independentemente do que quer que seja, têm direitos que lhes são próprios apenas pelo facto de que são seres humanos.
E por isso estamos hoje aqui. Para celebrar esta ideia. Falemos, pois, em Direitos Humanos. Falemos deles, não como se de uma evidência intelectual se tratasse, ou como se fossem um dado adquirido. Falemos, antes, da urgência em despertar para os Direitos humanos e assim cumprir, todos os dias, esta ideia.
Por isso mesmo chamamos a este projecto: Histórias para não adormecer. Pela voz dos nossos convidados, despertemos para os direitos humanos.”

Foi com com esta abordagem que no passado dia 10 de Dezembro no espaço em frente à Câmara Municipal, os alunos de uma turma do 12º ano da Escola Secundária Júlio Dinis, no âmbito da disciplina de Psicologia realizaram uma iniciativa de sensibilização e informação pública acerca dos variadíssimos incumprimentos e atropelos que existem quotidianamnete a essa Carta Magna. Através de uma “exposição” de estátuas humanas foram recriadas situações que descrevem autênticas histórias de vida, em temas como os dos Direitos da Criança, do trabalho infantil, da desigualdade de género, da utilização e concepção do indivíduo como produto, etc…
Muito bem caracterizado e originalíssimo.

09
Dez
09

Dia Mundial contra a corrupção

Num inquérito hoje publicado pelo Eurostat acerca do tema da corrupção, este revela que 90% dos Portugueses indicam-no como um dos mais graves problemas do país. Não era necessário o Eurostat vir dizer, isso já todos o sabemos à muito, mas registamos.
Para celebrar este dia com alguma ironia deixo-vos a banda sonora do “Padrinho”.
Ao lerem a legenda da música, digam lá que por vezes, não parece estar a retratar um País e protagonistas que todos conhecemos, não são é deste filme. São de outros!

08
Dez
09

Parque Desportivo do Furadouro

Parque Desportivo Furadouro

De acordo com aquilo que foi apresentado na sessão pública e com a cobertura que fizemos às obras da Rua dos Combatentes, hoje denunciamos as deploráveis condições de segurança e de utilização que este equipamento público possui.
Como demonstram as fotos, são várias as falhas e irregularidades presentes neste espaço. A falta de vedação, a quantidade de gravilha, pedras e até paralelos, os equipamentos de manutenção física chumbados com o cimento completamente à vista, um piso que é um misto de paus e casca de árvore, etc…
Para um equipamento que se destina a ser usado por crianças, jovens, adultos e idosos aquilo que estas fotografias demonstram é a irresponsabilidade e a inconsciência dos responsáveis por eles.
Depois há o problema do enquadramento paisagístico. É impossível implementarmos uma cultura de civismo, preocupação e preservação dos espaços públicos quando quem tem o dever de dar o exemplo, não o dá. O local em que este parque está inserido é um autêntico descampado. Quem por lá passa fica com a ideia de que caiu ali aos trambolhões, de que aquilo não é um jardim, não é um parque, não é nada, é apenas um baldio. Isto levanta também questões de outra ordem, como a ausência de planeamento urbano e de infra-estruturas em que equipamentos como estes possam ser integrados. Ma isso são contas de outro rosário que oportunamente poderemos falar.

Parques de outras cidades

Depois de achar que este caso deveria ser trazido à discussão pública, fiz um levantamento de outras cidades que usufruíram da mesma oferta, por parte do Modelo e Continente, e da forma como a utilizaram. Através de uma pesquisa na internet encontrei alguns exemplos de cidades com estes equipamentos ora integrados em jardins, ora em parques da cidade e até em parques desportivos. Convido-vos a ver as diferenças.
Palavras para quê!

30
Nov
09

Rua dos Combatentes: Obras na estrada parte 2

Rua dos Combatentes: Obras na estrada parte 2

Depois do fim de semana é neste estado que se encontra toda a sinalética aplicada nas obras da rua dos Combatentes. Espero que situações destas possam vir a ser evitadas no futuro.  Como alguém referiu num comentário sobre este assunto “Às vezes basta só bom senso”.

25
Nov
09

“Os Intocáveis”

Depois de termos assistido ao espectáculo lamentável e degradante dado pelo Procurador-geral da República (PGR) e pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça enquanto jogavam ao jogo do empurra na decisão sobre o conteúdo criminal das escutas efectuadas a Armando Vara em que intervinha José Sócrates, e porque todos ficámos perplexos quando ouvimos o PGR mandá-las arquivar e considerá-las nulas para a abertura de um inquérito de investigação sem mais justificação, recuperamos assim um artigo de Mário Crespo no Jornal de Noticias de 2 de Dezembro.
ler artigo

20
Nov
09

Manifestação dos trabalhadores da Aerosoles

Manifestação Aerosoles

Fiquei impressionado com o número de pessoas que esta quinta feira se manifestaram em Ovar.
São os rostos da preocupação, do desespero, da ansiedade, expressões agoniantes, aquelas que só o fantasma do desemprego pode fazer. As soluções têm que começar a existir porque a situação é grave, a taxa de desemprego no distrito de Aveiro já é a quinta do país e ultrapassa já os dez por cento. Um dos temas futuros a desenvolver terá que ser a estratégia de desenvolvimento local ou regional. Desde já fica prometido voltarmos a este tema.

19
Nov
09

Desafios

Uma reflexão sobre escolhas.

Uma manifestação de vontades.

 

Passadas três eleições onde os cidadãos e cidadãs elegeram os seus representantes, escolheram as ideias e os programas que os governarão, põe-se então a seguinte questão: E agora?

Alguns poderão achar esta pergunta completamente despropositada pois aquilo que crêem já lhes foi pedido, a escolha através do voto, está feita, sendo agora a governança pública problema e responsabilidade dos eleitos.

Se muitos têm esta opinião, muitos outros não a têm e é neste último grupo que nós nos incluímos. Recusamos este modelo de serviços mínimos da prática democrática, amorfa e claustrofóbica, onde através de uma espécie de delegação de poder os cidadãos e cidadãs se demitem de participar e vigiar a qualidade da democracia, acantonando-se no discurso de que querem é que lhes resolvam os problemas e façam alguma coisinha pelas pessoas, pelas cidades e pelo país. A nossa escolha é outra: democracia participativa.

O que está em questão é o tipo de democracia que queremos e essa escolha é responsabilidade de cada um, individual e colectivamente. Em nosso entender, a escolha é entre a indiferença e a participação, o imobilismo e a intervenção, a desresponsabilização e o comprometimento. A escolha que fazemos é entre uma sociedade consciente, exigente e participativa ou uma sociedade descomprometida e individualista.

Os tempos que vivemos são tempos difíceis: o desemprego não pára de aumentar, o pouco trabalho disponível que existe é precário e sem direitos, as oportunidades rareiam. No entanto, a corrupção, o favorecimento e o compadrio parecem instalar-se como práticas correntes provocando uma convivência social amena e cordata com a fraude e o crime. E isto é preocupante. Igualmente preocupante é a completa resignação e desesperança que se instalou nas pessoas. É pois urgente que novas formas, novos actores e novos projectos de intervenção social emerjam, se desenvolvam e procurem resgatar as pessoas para a participação. São necessários projectos que rompam com a passividade e o imobilismo, que sejam capazes de intervir sobre as mais diversas áreas das nossas vidas – do saneamento básico ao cinema independente, do emprego à ecologia, da rodovia à ferrovia, das patentes ao software livre, do desporto à política, da cultura ao lazer -, que recusem tabus, que encontrem novas formas de organização – da tertúlia ao teatro do oprimido.

Todas estas e outras questões do quotidiano das comunidades estão em permanente conflito, mas também em permanente construção. Alhearmo-nos deste processo, demitirmo-nos de participar significa a nossa disponibilidade para que decidam por nós e nos roubem o direito à indignação.

Porque cremos que este não é o caminho, anuncia-mos que um novo projecto vai surgir na cidade com o objectivo de construir um espaço alternativo, de liberdade, de acção e pensamento, movido pela energia das pessoas que se queiram comprometer com a emancipação, que recusem o conformismo e que se empenhem na denúncia dos problemas e na construção das soluções.

Este projecto pretende ser uma plataforma que reúna ideias e vontades, que tenha uma agenda que seja a agenda de todos aqueles e todas aquelas que querem fazer coisas e encontrar parceiros para a sua consecução; um projecto que quer saltar da mesa do café onde todas e todos falamos, nos lamentamos, propomos, discutimos, dizemos as coisas mais inteligentes do mundo mas que acabam por ser quase sempre inconsequentes porque nunca saem daquele lugar e desaparecem entre um copo e um cigarro.

É este o desafio que te lançamos! Também ele está na tua mão.

Uma vez mais a decisão é tua.




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