Arquivo da categoria 'Artigos'

23
Jun
10

andam fartos de nos avisar!

Ontem foi Espanha.
Este post poderia estar a ser escrito hoje como à mês e meio. Desde o inicio da crise Grega, que os países Europeus têm vindo a adoptar os mais variados planos de austeridade.
Pressionados pela especulação e pelo crivo dos mercados, todos têm optado pela mesma bitola. Austeridade, austeridade e austeridade, consequência, recessão, recessão e recessão.
Os cortes nos apoios sociais, nos serviços públicos, nos salários, na segurança social, despedimentos, subidas de impostos e a degradação na protecção ao trabalho, têm feito escola.
Quando o problema que enfrentamos é um problema de crescimento económico, reparamos que todas estas medidas, são contra natura. O crescimento só se repercute de três maneiras, através do investimento, do consumo e das exportações. Na área do investimento, temos três grandes dimensões: nos recursos humanos e reconversão dos trabalhadores, em maquinaria e tecnologia, e na educação/formação das crianças e jovens; na área do consumo, certamente que não passa por despedimentos, cortes de salários e cortes de apoios aos desempregados, cortes nas pensões e maior taxação sobre os rendimentos do trabalho; e na área das exportações, é preciso que se produza mas que haja quem compre, quando todos apostam não no seu consumo mas, apenas no consumo dos outros, todos vão perder e a dinâmica económica vai ser recessiva.
Para uma melhor percepção macro e mais transversal dos enormes erros que estão a ser cometidos na Europa deixo-vos este excelente post via politeia sobre o plano do modelo Alemão, as suas consequências, os sinais e a direcção que impõe dá para o resto da Europa, também sobre os planos de austeridade este post via carta Maior, que é bastante interessante pala forma que vai dissecando o problema da economia espanhola e do seu financiamento. O que para um leitor atento pode começar a reparar nas repercussões e no contágio que irá ter em Portugal, para finalizar, uma noticia do público em que o Paul Krugman (Nobel da economia) desfaz a politica monetarista da União Europeia e como o Banco Central Europeu, através do seu conservadorismo pode induzir novos riscos para a economia Europeia, como conflitos sérios com a Economia Americana.
Entre linhas o que vem dizendo é que com a actual politica expansionista (não tanto como ele desejava, mas ainda assim, expansionista) dos Estados Unidos, estes não vão entrar no jogo do ferrolho Europeu e portanto, para conservar os empregos e a dinâmica de aquecimento da economia que estão a tentar fazer através do seu endividamento, o proteccionismo económico face à Europa irá voltar.

17
Jun
10

A sustentabilidade do futuro

A Volkswagen apresentou o seu primeiro veículo de duas rodas e o conceito “Think Blue” na Auto China 2010. Por incrível que possa parecer, a bicicleta da Volkswagen chamou mais atenção das pessoas do que os seus próprios carros, além disso gerou no mundo inteiro curiosidade para ver neste vídeo do you tube como ela funciona.

A empresa tem-se referido a ela como a obra de arte da mobilidade. A VW Bike não tem pedais, é dobrável, travão de disco nas duas rodas e funciona com uma bateria que pode ser recarregada no próprio carro, em corrente contínua ou numa tomada AC comum. Foi concebida para se encaixar perfeitamente no compartimento do pneu sobresselente do carro.
O Conceito de mobilidade deste equipamento é para que a bicicleta seja um complemento do carro. Assim, o motorista poderia deixar o carro num estacionamento fora dos grandes centros congestionados e mover-se em zonas com tráfego elevado na sua bicicleta eléctrica.
Para saber mais leia aqui

Artigo enviado via mail por Ismael Varanda

14
Jun
10

fim de semana lll

As leituras de fim de semana serviram para ter novos dados sobre nós, a Europa e o Mundo.
Por cá, soubemos que entre 1998 e 2008 foram 700 mil os portugueses que deixaram o país para emigrar, para que tenhamos uma ideia é mais do que o número de desempregados que aparecem nas estatísticas oficiais (10,8%). Ao mesmo tempo soubemos que à excepção de Angola, os países de acolhimento continuaram a ser os europeus, o que possivelmente faz pensar que face aos constrangimentos decorrentes das politicas recessivas que têm vindo a ser adoptadas por todos os países da zona Euro, uma nova vaga de pessoas poderão começar a voltar, processo que já acontece para quem trabalhava em Espanha.
O número de insolvências continua a crescer, desde o início do ano são já 1800. De referir o comercio e a construção, como os principais sectores afectados. O que também quer dizer que o crescimento do PIB obtido no primeiro trimestre (1,8%) em que o consumo interno foi um dos motores, não é suficiente para cavar o definhamento da economia. E ainda as medidas dos sucessivos PEC`S que já vieram e estarão para vir ainda não se começaram a sentir.
Nos Estados unidos os números do emprego continuam a não animar. Estados Unidos que fizeram cair o primeiro ministro japonês, devido à decisão da permanência de uma base naval americana em território Japonês. Com uma enorme divida pública, uma estagnação económica dura quase há 10 anos e com taxas de juro de 0% o milagre tecnológico japonês não está a conseguir vencer os “desafios” do Mundo.
Em dificuldades continua a Bélgica que a prazo irá ser um país ou mesmo dois países diferentes.
Para terminar as boas noticias. Na China as greves e a pressão dos trabalhadores mesmo contra o “sindicato oficial” tem conseguido aumentos e conquistas laborais importantes em grandes empresas multinacionais. A tecnologia barata terá um fim?

14
Jun
10

Fim de semana l

Começou o Mundial.
Como tudo, coisas boas e más.
As boas noticias, primeiro é a própria competição, para quem gosta do jogo é sem duvida uma “prisão” à televisão. Nestes primeiros dias de referir o excelente jogo da Alemanha (uma Alemanha completamente desvirtuada no seu futebol, para melhor) e o bom jogo da Coreia do Sul. A Argentina ganhou, mas o equilíbrio defensivo ainda não foi testado. Outra boa noticia é esta malta que há mais de mês e meio aparece na televisão para dizerem todos a mesma coisa, não existindo nem contraditório nem espaço às soluções e análises alternativas sobre a crise, vamos passar a vê-los muito menos.
As más noticias é que o futebol vai monopolizar todo o tempo, não deixando espaço para mais nada. Não, não é contraditório com o que disse em cima. A grande questão é que atrás do jogo vem uma série de conteúdos, histórias e mexericos, que não interessam nem acrescentam nada à competição nem ao prazer de ver o jogo.

09
Jun
10

que grande noticia!

Parece que Israel ganhou” juízo”!
Um Ministro israelita diz que após alguma reflexão, decidiram aliviar o bloqueio a Gaza. Portanto produtos como: doces, creme de barbear e chá, vão ser possíveis de poder passar a barreira israelita.
Agora a sério. Isto não é sequer desumano, é simplesmente gozo.
Ficar calado perante isto é intolerável. Agora é que é preciso uma comunidade internacional. Mas parece que não a temos.
Para uma região bloqueada à três anos, sem economia, que não produz nada e que depende em mais de 85% de todo o género de produtos, bens e serviços do exterior, estas palavras devem ser impossíveis de se ouvir.
Israel ao mesmo tempo estica a corda. Com as piores relações com os Estados Unidos de há muito tempo para cá, com a perda do maior “aliado” que tinha na região, a Turquia, e com uma coligação árabe em formação, Israel vai começar a ter algumas dificuldades em manter o status quo na região.
De estranhar ou talvez não, tem sido o silêncio da Fatah. Também pode ser o facto de nada ter chegado à nossa comunicação social, mas é de estranhar como é que na Cisjordânia ninguém fala sobre isto.

Para continuar a acompanhar.

31
Mai
10

Aplaudo o Cohn Bendit

Via minoria relativa
Ainda no dia da manifestação tive um pequeno debate sobre a questão grega. Um dos argumentos que me davam era a questão da solidariedade, rebati com o oportunismo dos empréstimos que toda a Europa vai fazer, emprestar por 2 e cobrar 5. Eu a isto não chamo solidariedade.
Mas o Cohn Bendit em apenas seis minutos põe o dedo na ferida. Diz muito do que aqui e em outros sítios se vem dizendo.
Vejam que vale a pena.

27
Mai
10

Actualíssima. Descreve perfeitamente o que sinto.

“Não me digas que não me compreendes
Quando os dias se tornam azedos
Não me digas que nunca sentiste
Uma força a crescer-te nos dedos
E uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes”

Uma pequena passagem da música do Sérgio Godinho “Que força é essa”.
Para quem não conhece, aconselho vivamente, para quem a conhece nunca cansa, bem pelo contrário cantamo-la com mais força.
Tem sido este o meu estado de espírito, que hoje culminou com as medidas aprovadas em conselho de ministros, retirando os parcos apoios suplementares a quem se encontra na situação de desemprego.
Triste é o país que trata desta forma quem mais precisa e pior, os seus filhos.
Apenas dois exemplos das medidas tomadas:
- Fim do abono de família suplementar.
- Fim do apoio suplementar no valor de 10% do subsídio de desemprego para agregados familiares com filhos.

Não me digas que não compreendes.

27
Mai
10

Já que na televisão não passa. passamos nós.

Via ladrões bicicletas publico um post sobre a entrevista do economista João Ferreira do Amaral ao Jornal de negócios. Pela seguinte razão, na praça (sobretudo televisão e a maior parte dos jornais) de vinte economistas ouvidos, dezanove pertencem ao unanimismo do pensamento único financeiro. Hoje estamos a fazer serviço público, dedicamos espaço ao pensamento económico .

«Hoje é relativamente consensual que a entrada na zona euro foi a principal razão da perda de competitividade.»

«(…) a baixa da taxa de juro não é necessariamente uma benesse. Tudo depende do que vamos fazer ao crédito. E, com uma taxa de câmbio desajustada, como nós tínhamos, foram criados incentivos para a aposta no sector não transaccionável, o que criou a dívida insustentável que temos agora.»

«Mesmo que [uma queda de 20 a 30% dos salários] fosse socialmente exequível, a medida acabaria por ser ineficaz. Repare que o conteúdo de salários das exportações é de 30%. Se, por absurdo, se cortasse 30% nos salários, a nossa competitividade apenas aumentava 9%. Bastava uma oscilação do dólar para essa vantagens desaparecer.

«É melhor pensar em coisas exequíveis, como negociar com a Europa uma forma de alterar as instituições (…). Não tenhamos ilusões: se não conseguirmos uma alteração do enquadramento da Zona Euro, não estaremos muito mais tempo dentro dela.»

«A Europa não percebe que quantos mais planos de austeridade fizer mais ataques especulativos ela vai sofrer.»

Continuar a ler aqui

24
Mai
10

A Dívida ou o euro

A dívida ou o euro é um bom post que podem encontrar no Politeia. Se tiverem tempo sugiro-vos que dêem uma olhadela também pelos posts da última semana.

21
Mai
10

Ontem foi bom!

Com a sala do Bar do centro de arte muito bem composta, ontem realizou-se a projecção do segundo filme da Mostra de Cinema Independente.

Sicko de Michael Moore não defraudou. Um documentário comprometido com os cuidados de saúde universais, cáustico e sério, divertido e pedagógico, retirou risos e solidariedade perante um público que sente cada vez mais, que refletir é preciso.

No fim, em conversas paralelas, foram várias as ideias e contributos para o futuro e elogios pela iniciativa. Desta forma, é com prazer que desde já vos convidamos para o próximo filme que se realizará já no próximo dia 24 de Junho.

La Haine, um filme forte, que problematiza a questão da imigração e da sua integração nos países de acolhimento, deixa um registo cru e violento sobre essa realidade. Os desafios e a reflexão necessária para os poder superar é todo o contexto subjacente a esta produção. Premiado em vários festivais europeus é um filme a não perder.

Um abraço e até ao próximo mês.

19
Mai
10

A malta do dinheiro anda preocupada… consigo!

Quando a Alemanha e a França aprovaram o “plano de estabilização financeira” de 750 mil milhões de euros, não tiveram como principal propósito garantir a estabilização e desenvolvimento das economias mais frágeis, casos da Grécia, Espanha e Portugal, mas sim o pagamento da dívida ao seu próprio sistema financeiro por parte desses mesmos países. Vimos então uma imposição de medidas draconianas a estes países que se traduzirão em politicas recessivas e de aumento da degradação social.
Por cá, hoje foi o culminar de uma série de declarações que desde ontem têm vindo a surgir por parte dos senhores da Banca. Primeiro foi Fernando Ulrich, CEO do BPI, depois Santos Ferreira, CEO do BCP, e por último Faria de Oliveira presidente da Caixa Geral de Depósitos. Nunca em dissonância, estas declarações vêm dizer que a situação do país é grave (o que concordo) e que é preciso mudar de vida. Chegam a dizer que os “índices de casa própria e segunda habitação, férias no estrangeiro, gastos na restauração e número de carros por agregado por familiar são significativamente altos para os ordenados que temos, (o que também concordo, coisa rara com estes rapazes). O que omitem é também a sua própria responsabilidade neste números, que vai desde a politica de crédito exercida pela Banca nos últimos anos, até há vigarice que faziam quando eram complacentes com os construtores civis na avaliação de imóveis e na deferência de créditos que não tinham o objectivo inicial (caso no crédito da habitação que ainda sobrava dinheiro para o carro, electrodomésticos, mobiliário e por vezes até para a lua de mel!!).
Mas o que mais me incomoda é que todos eles falam, falam, falam, mas não analisam, e não propõem medidas e alternativas de futuro. Não o fazem porque, tal como no passado não atribuem ao crédito e ao financiamento uma ferramenta que deve ser racionalmente utilizada e não ao sabor do mercado. Por isso é que a politica de crédito, sempre foi fácil quando direccionada ao consumo ou ao mobiliário (acções e produtos financeiros), em detrimento da produção e ao investimento (a não ser investimentos com a garantia do estado, aí é uma pressinha para ser o escolhido para fazer o project finance).

Quando falamos da função social das empresas, a finança teria que a ter de um a forma ainda mais acrescida, através de regulação ou de uma lei direccionada para o efeito, não sei, mas teria que a ter.
Eu não sei qual a vossa opinião, mas quando deposito o meu dinheiro num banco, sei que é um activo financeiro ao serviço de quem o tem, não me pode ser indiferente como o utiliza.

19
Mai
10

Diz quem sabe.

Este pequenino, mas pertinente post, é retirado do ladrões de bicicletas portanto apenas vou reproduzi-lo.
O plano de socorro à Grécia “repete as mesmas receitas que nos foram aplicadas e que provocaram (o que se passou) em 2001 (…) Estão a repetir as mesmas políticas que só servem para salvar o sistema financeiro. Acreditamos que estão condenadas a falhar e, por isso, não as aplicamos no nosso país”.

Cristina Kirchner, Presidente da República Argentina, enquanto explicava o voto favorável, mas crítico, ao plano do FMI.

13
Mai
10

Provinciano e sem sentido de estado

Não é para troçar desta fotografia que retirei do spectrum, não.
A razão pela qual falo hoje no Cavaco, ou melhor no Presidente da República é por isso mesmo, é que do Cavaco é o Presidente da República. E portanto quando um jornalista lhe perguntou hoje o que pensava das medidas adicionais que foram apresentadas pelo Governo, não admito como Português que o Presidente da República diga que não se pronuncia sobre a vida politica e económica do país enquanto o Papa estiver em Portugal.
Não só porque o momento o justifica, mas também pelo simples facto que em Portugal o Estado é laico, deixando as questões da fé para os fieis, salvaguardando as instituições para os superiores interesses do país. E neste caso, sem desrespeito pelo Papa, devo dizer que a baixa dos salários, o aumento do IVA, a tributação das poupanças, do mais que esperado aumento do desemprego e das dificuldades associadas a estas medidas, é-me a mim, e presumo também, para a grande maioria das pessoas muito mais importante do que a visita Papal.
A foto diz tudo.

13
Mai
10

Compra-se fé!!! 3,5 euros hora.

A igreja é imparável. Viva em Portugal e consiga o verdadeiro milagre 3 em 1. Este deve ser o verdadeiro terceiro segredo de Fátima, sim só Fátima, ou melhor, só em Portugal. Tenha um feriado, ao ir ver o Papa acene e receba 3,5 euros hora!
Hã, quem é amigo quem é? É o Papa. Veja toda a noticia aqui.
Já que perderam a vergonha pelo menos que pagassem um bocadinho mais!

16
Abr
10

Islândia. Depois da crise, só lhe faltava os vulcões!

Lamento o tamanho da foto. É brutal. Merecia mais.
Vejam esta e outras excelentes fotos da erupção e com o tamanho de ecrã inteiro, aqui no El País
Esta é a visão aérea da erupção vulcânica no glaciar Eyjafjalla na Islândia. Já no dia 22 de Março tínhamos feito aqui no envolve-te referência à erupção do Fimmvorduhals, vulcão Islandês que estava inactivo desde 1823.

16
Abr
10

É daquelas noticias que passam despercebidas

“No primeiro trimestre deste ano o PIB chinês cresceu 11,9%.” Toda a noticia aqui

Estas tendência não é nova, tem sido notória na última década e meia mas, com a crise Financeira e económica mundial e recessão dos principais países ocidentais, a economia chinesa tem aproveitado para queimar etapas, no último ano passou a Alemanha como maior exportador mundial e prepara-se para no final deste ano poder passar o Japão como segunda maior economia Mundial.
É um dossier para ir acompanhando. Este é um  novo player mundial em que ainda é muito difícil de identificar qual a sua linha de intervenção na sua zona de influência e  como decisor na mais altas instâncias mundiais (ONU, OMC, G20, G2).
Para ir acompanhando.

13
Abr
10

Este deveria saber que mentir é pecado!

Hoje o cardeal Tarcisio Bertone, número dois na hierarquia do Vaticano fez a mais louca das afirmações sobre os casos de pedofilia que têm assolado a igreja católica.
“Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há relação entre o celibato dos padres e a pedofilia, mas muitos outros demonstraram, e disseram-me recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia”, afirmou Bertone”.
Falando sobre a homossexualidade como uma patologia, um desvio e uma deficiência o cardeal ignorantemente (ou propositadamente) mete pedofilia e homossexualidade no mesmo saco e iliba os sacerdotes (porque estão doentes) e a igreja retirando o celibato da equação. Perante este tipo de declarações que mais parecem de à cinquenta anos atrás as reacções não se fizeram esperar.
“Esta é a uma estratégia do Vaticano para fugir às suas próprias responsabilidades éticas e legais, fazendo esta ligação falsa e repugnante”, afirmou Rolando Jimenez, presidente do Movimento para a Integração e Libertação Homossexual no Chile, recusando a existência de quaisquer estudos sérios que sustentem o que diz Bertone”.
Leiam toda a noticia aqui no público de hoje

31
Mar
10

Itália…

Este é o país encontrado depois das eleições regionais (o mapa do lado direito). O partido da casa das Liberdades (Berlusconi) segura-se mas, a grande constatação era o já esperado crescimento da Liga do Norte. Este partido racista e xenófobo ganha 4 regiões. À “esquerda” a descrença continua. O partido democrático não é alternativa a nada. Não tem ideologia e os seus dirigentes estão envolvidos em escândalos consecutivos. Os restantes partidos tentam-se reorganizar depois do projecto falhado da grande aliança de esquerda do Prodi. A abstenção cresce a cada eleição que se faz.
Enfim um país à procura de rumo, mas enquanto acontece e não acontece os problemas vão-se agudizando, a crise, o desemprego, as finanças públicas, o racismo a xenofobia e a máfia, promovidas ou aceites pela actual liderança só agravam. O futuro vai ser triste.
Toda a noticia no El País.

30
Mar
10

Quem mata no mundo


As execuções do mundo em 2009. Relatório anula revela que pela primeira vez na “História Moderna” a Europa não assistiu a nenhuma execução. Estados Unidos Da América são os que mais a aplicam mas tendência está a diminuir… devagar.
Já na China é onde há mais executados mas os números são segredos de estado. Toda a noticia aqui

22
Mar
10

Avanço do mar preocupa cidades costeiras do Brasil

Como temos vindo a dar conta neste blog, o avanço do mar é um problema que tem afectado todas as populações em zonas de costa. Tal como cá, no Brasil este fenómeno é preocupante.
Com a ajuda do Marco Lyra, que tem sido incansável no apontar de novas soluções e experiências que têm vindo a ser feitas em alguns locais do estado de Alagoas (Brasil), hoje envia-nos um pequeno vídeo que saiu numa reportagem da Globo acerca desta problemática.
Como em Portugal o debate tem sido parco acerca desta questão, aqui pretendemos através de outras experiências e com os contributos mais diversos introduzir o debate na sociedade portuguesa.
Como tal podem ver o vídeo da reportagem da globo aqui

08
Mar
10

O AVANÇO DO MAR E AS OBRAS DE DEFESA COSTEIRA

Um exemplo Brasileiro, mais propriamente o do estado de Alagoas.

Artigo recebido e-mail por Marco Antônio de Lyra Souza – Engenheiro Civil Especialista em Obras Costeiras

As fotografias publicadas em baixo, referencia cada uma das obras do Bagwall já implantadas no Brasil. A sequência cronologica irá ser a mesma da numeração das fotos. Iniciando por Japaratinga (6 anos de construída), Ponta Verde ( 5 anos de construída), Barra Nova (1 ano de construída).

A histórica e crescente ocupação da zona costeira aumentou significativamente a demanda por obras de infra-estrutura. Este fato resultou da intensa construção de obras, tais como, estradas, ferrovias, portos, etc. É comum a implantação destes empreendimentos próximos ou sobre os sistemas de dunas costeiras. Salienta-se que estes empreendimentos, quando mal localizados, acarretam prejuízos imensuráveis aos cofres públicos, que passam a administrar problemas em vez de gerar soluções compatíveis. No litoral do Brasil, existem inúmeros exemplos de destruição de empreendimentos públicos e privados, como conseqüência da má localização. Surgem assim as estruturas rígidas como muros de contenção, espigões, enrocamentos, gabiões, quebra-mares, que além de descaracterizarem a paisagem natural e identidade da frente de praia, na maioria das vezes constituem-se numa tentativa frustrada de conter o avanço do mar. No litoral, existem escombros de obras de defesa costeira em áreas urbanas, na maioria das praias.
Observando-se o que está ocorrendo nas praias de Atafona, Bugia, Barra de Santo Antônio, Barra Nova, Baia da Traição, Cabo Branco, Icaraí, Iparana, Janga, Mucuri, Piedade, Pontal D’Areia dentre outras existentes no litoral brasileiro, verifica-se que o quadro existente é caótico.
É preciso analisar o problema dividindo as ações a serem adotadas em duas etapas: ações de curto prazo e ações de médio prazo.
Nas ações de curto prazo estão as emergências que ocorrem nas áreas já urbanizadas, onde as opções podem ser a remoção da população existente do local, como ocorreu no Povoado Cabeço em Sergipe, ou torna-se necessário a execução de obras de defesa costeira para conter o processo erosivo, como resposta ao desastre, a exemplo do que ocorreu na praia do Janga, Município do Paulista em Pernambuco. Lá foram construídos espigões, quebra-mares emersos e engorda artificial de praia.
Nas ações de médio prazo que também são urgentes, faz-se necessário a implantar o Zoneamento Econômico e Ecológico Costeiro, em todos os municípios litorâneos, para que a partir da determinação dessas áreas, inclusive incluindo-as nos respectivos planos diretores das cidades, sejam elaborados planos de gerenciamento costeiro integrados, como instrumento para garantir o crescimento sustentável do litoral brasileiro.

Partindo da premissa da Teoria do Caos, pode-se afirmar que o ambiente litorâneo é um sistema dinâmico não-linear, onde as implicações de seus integrantes individualmente são aleatórias e não previsíveis. Estes sistemas evoluem no tempo e no espaço, com um comportamento desequilibrado e aperiódico, onde seu estado futuro é extremamente dependente de seu estado atual, e pode ser mudado radicalmente a partir de mudanças no presente.

No geral a linha de costa é a fronteira da intercessão do ar, do mar e da terra. As interações físicas, que ocorrem nesta fronteira são por isso únicas, complexas, e difíceis de compreender. A linha da costa como um todo, e como parte integrante desta costa, as praias em particular, são sistemas extremamente dinâmicos e de uma variação continua no tempo e no espaço. Embora seja a costa esse ponto de intercessão entre o ar, o mar e a terra, a energia que a margem, sistema costeiro ou linha de costa absorve advém na sua maioria do mar. Facilmente pode-se assim concluir que as praias e as zonas costeiras são as regiões onde se faz sentir a ação energética do mar sobre os continentes.
Em regra, é a costa o obstáculo sobre o qual a onda acaba por dissipar a totalidade da sua energia, num processo extremamente complexo, genericamente designado por rebentação.
Os ventos são os grandes responsáveis pela dinâmica costeira, seu papel não se restringe a originar ondas, e por conseqüência, as correntes litorâneas. As ondas e as correntes marítimas transportam grandes quantidades de grãos de areia que são parcialmente depositados na praia.
A areia acumulada e exposta ao ar, após seca, é transportada por ventos dominantes para locais mais elevados da praia. Grandes quantidades de areia se deslocam ao longo das linhas de costa.
O ambiente litorâneo se comporta como um sistema dinâmico, nele a evolução de uma condição inicial se for analisado o mesmo sistema, sob outras condições iniciais, ele assumirá outros caminhos e mostrar-se-á totalmente diferente do anterior.
Já reparou nas formas do litoral? Será que existem ilhas quadradas?
A modelagem da linha de costa deve-se a um conjunto de forças complexas que atuam no ambiente costeiro, formando o padrão existente.
Antes de decidir qual alternativa escolher para controlar a erosão litorânea é necessário observar os seguintes fatores: Durabilidade da obra; Disponibilidade do material para construção; Custo de implantação; Impactos ambientais; e custo de manutenção da obra. É de fundamental importância observar o custo/benefício das obras implantadas, onde muitos municípios têm dificuldades financeiras para manter as obras em funcionamento.
Portanto, é importante observar na escolha da alternativa a ser utilizada para obra de defesa costeira, os seguintes critérios: A obra não deve interferir na dinâmica sedimentar, ser resistente e durável, conter o avanço do mar, dissipar a energia do trem de ondas, facilitar o acesso da população a praia recreativa, harmonizar a obra com o ambiente de forma a torná-la menos impactante, não transferir o processo erosivo para áreas adjacentes, promover a recuperação do perfil praial, e ter baixo custo de manutenção.
Em Alagoas, foram construídos três dissipadores de energia do tipo barra mar “Bagwall”, cujo sucesso resultou em benefícios ambientais obtidos no controle da erosão marinha. As três obras foram realizadas em condições geológicas, morfológicas, geográficas e hidro- dinâmicas completamente distintas, e apresentaram o mesmo resultado final: Contenção do avanço do mar sem transferir o processo erosivo para áreas adjacentes; Recomposição do perfil de praia com engorda natural no local da intervenção; Facilitação do acesso à praia recreativa da população; Manutenção da obra com custo muito baixo.
É de fundamental importância observar que nos locais onde o Bagwall foi construído, antes havia erosão, após sua construção passa a ter a engorda natural com tendência ao equilíbrio do perfil da linha de costa.
Isto induz a observação de que o processo dissipativo é tido como fonte de ordem em um sistema caótico como o das praias e zonas costeiras. As coincidências constantes nos três casos apresentados nas fotos abaixo relacionadas indicam ser fundamental expandir-se a experiência, inclusive utilizando-as em outras regiões.

06
Mar
10

Itália. Berlusconi ataca de novo.

Mesmo depois da agressão de que foi vitima, Berlusconi parece que está no activo como nunca. E digo isto não pelas melhores razões, espantaria se fosse. Berlusconi e a pandilha que forma a coligação de governo italiana voltou a fazer das suas. Então vamos lá contar o que foi desta vez. Itália vai viver eleições regionais nos próximos dias 28 e 29. Como qualquer partido o de Berlusconi apresentou as suas listas mas, o insólito aconteceu. Mais de 500 assinaturas falsas na candidatura da Lombardia e a entrega da candidatura em Roma chegou fora dos prazos que a lei prevê. Perante estes factos os tribunais inviabilizaram as candidaturas. Bem, até aqui a situação é insólita é verdade, mas apesar de tudo correu com normalidade, candidaturas ilegais, consequência, candidaturas anuladas. Normal.
Mas não, estamos a falar de Itália. Após um decreto feito à medida (mais um, já perdemos a conta) num conselho de ministros nocturno e extrordinário tudo se resolveu. Ler o resto da noticia aqui no El País

05
Mar
10

Defesa da Orla costeira. Contributo de Marco Lyra

Após o comentário feito por Marco Lyra no post Furadouro, Que futuro, aqui fica o seu contributo para o debate. Neste vídeo explica o processo de decisões e opções que se tem feito no Brasil na região de Alagoa para o mesmo problema. Com o avolumar de problemas tiveram que procurar soluções e enquadramentos alternativos. E assim foi. Apostaram numa nova tecnologia e os resultados começam a chegar.
Como é evidente não podemos nem temos elementos para dizer, que é um sistema que se aplique em todo o lado e cumpre os objectivos para qualquer situação.

26
Fev
10

Em Portugal seria impensável – cá os principios são coisas menores.

É uma noticia já com alguns dias, mas tinha que dizer alguma coisa sobre isto. No passado dia 20 de Fevereiro, a coligação de centro esquerda que governava a Holanda desmoronou-se provocando a antecipação de eleições.
Lá como cá, a situação económica e os problemas que se põem à vida das pessoas são enormes e crescentes, no entanto, esta coligação de Governo tinha um acordo para a retirada das tropas Holandesas do Afeganistão, tendo sido esta uma das questões importantes para para viabilizar o executivo. Pois bem, parece que nem toda a gente estava com boa fé, e nem todos os partidos queriam cumprir os acordos que tinham feito, invocando como sempre um imperativo de solidariedade para com os aliados da NATO. Aqui é que vira o bico ao prego, em primeiro lugar o nosso primeiro e mais primário acto de solidariedade não deve ser com instituições militares e decisões por si tomadas, sobretudo se estivermos em desacordo com elas, deve ser sim com as pessoas e a humanidade. Em segundo lugar e também não menos importante, a politica não pode ser um local de mentira e engano permanente.
As pessoas que votaram nos partidos que viabilizaram a formação do Governo Holandês escolheram projectos e princípios orientadores, aceitando também que estes lhes apresentassem uma solução governativa perante isso. E assim fizeram.
Na sociedade Holandesa e no espectro politico partidário, a avaliação feita quanto à presença da Holanda na Guerra Afegã foi negativa (antes das eleições e nas negociações para a formação de governo, como se veio a verificar), “ninguém” reconhece legitimidade, os objectivos, os parceiros afegãos nem o porquê desta guerra. É consensual ou melhor, era! É no meio desta história, comprometido com a verdade que o Partido trabalhista Holandês renunciou e provocou uma crise politica.
Cá seria impensável, não só porque se dá pouca importância a estas coisas das guerras, dos conflitos, dos actores, dos argumentos invocados, etc… Interessa-nos sobretudo estar onde os outros estão. Não fugir do rebanho. Mas também porque por ser um assunto menor, ninguém compreenderia porque é que o país com problemas tão complicados, alguém irresponsavelmente lançaria uma clarificação (não crise como alguns gostam de dizer) politica. Eu por mim, gosto da seriedade e da coerência alicerçados e comprometidos com um ideário e princípios concretos e transparentemente identificáveis, quando assim não é a vida fica opaca e nada interpretativa. É o vale tudo. Eu hoje sou holandês.

26
Jan
10

A década entra mal (Boaventura Sousa Santos)

Publicado na Revista Visão de 14 de Janeiro
Boaventura Sousa Santos ver aqui

Qualquer cidadão do mundo que tenha o privilégio de não estar preocupado com a sua sobrevivência amanhã e ouça, leia ou veja as notícias – um privilégio, porque pertence a uma pequeníssima minoria dos 6.8 biliões de seres humanos – tem razões para estar perplexo e apreensivo. E teria ainda mais razões se soubesse do que não sai nas notícias dos grandes meios de comunicação.

No dia de Natal um jovem nigeriano quase fez explodir um avião enquanto este se preparava para aterrar numa cidade norte-americana. Se tivesse tido êxito teriam morrido centenas de pessoas entre passageiros, tripulantes e habitantes da zona onde o avião caísse. A perplexidade é esta: como é possível que isto tenha acontecido no país detentor das mais sofisticadas tecnologias de vigilância e segurança e, para mais, quando o jovem extremista era conhecido dos serviços secretos e tinha sido denunciado pelo seu próprio pai junto das embaixadas ocidentais? Como é possível que o país mais poderoso do mundo tenha revelado tal debilidade? A apreensão é esta: como vão os EUA reagir? Vão abrir mais frentes de guerra? Depois do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão seguir-se-á o Irão, que as notícias dizem ter afinal planos para construir uma bomba atómica, e o Iémen, onde o jovem terá sido treinado? Que outros países se seguirão? Poderá algum país estar livre de vir a ser alvo desta guerra?

A perplexidade redobraria se ao cidadão chegasse notícia de duas especulações perturbadoras: os serviços secretos correram o risco de fazer entrar o jovem nos EUA porque o pretendiam contratar como agente duplo, tal como se especula que o mesmo terá acontecido com os serviços secretos dinamarqueses, que igualmente conheciam bem quem tentou matar o cartoonista; a informação sobre o jovem foi deliberadamente bloqueada para que o atentado ocorresse e criasse uma onda de revolta que levasse a opinião pública norte-americana, não só a justificar mais guerras numa região rica em petróleo, mas também a pensar que um presidente negro e com o nome intermédio Hussein não lhes garante segurança e lhes está a roubar um país que foi feito por brancos e para brancos. Especulações disparatadas? A perplexidade maior é que sejam de todo feitas.

E a apreensão se transformaria em revolta se o cidadão comum soubesse: que, tal como o Iraque não tinha armas de destruição maciça, o Irão não tem nenhum programa de bomba nuclear, o que aliás está atestado por 16 agências do governo dos EUA, e que apesar disso Israel e os EUA continuam a preparar um ataque ao Irão; que os perigosos inimigos de hoje foram financiados no passado para destruir o nacionalismo de esquerda emergente, tendo sido assim que Israel financiou o Hamas contra o movimento de libertação palestiniana, e os EUA, os talibãs contra o governo de esquerda e seus aliados russos; que a guerra supostamente patriótica e para defender a democracia está a ser crescentemente travada por forças mercenárias, para quem a guerra é um negócio (no atentado bombista de 30 de Dezembro no Afeganistão – cometido por um agente duplo jordaniano contratado pelos EUA para chegar à liderança da Al Quaeda – dois dos “agentes” da CIA mortos eram, de facto, mercenários da empresa Blackwater, considerada o exército mercenário mais poderoso do mundo); que os maiores custos da guerra, para quem a sofre, são os que não são contados como tal, de que é exemplo trágico a epidemia de cancro e de bebés nascidos com deformidades que está a assolar o Iraque, relacionada com o urânio deixado no solo pelas bombas “aliadas”, um problema que, aliás, começa também a afectar os soldados aliados e os seus filhos; que no centro das desgraças que se advinham está um dos povos mais indefesos e abandonados do mundo, os palestinianos, encarcerados no seu próprio país, à mercê um Estado ocupante, racista, com armas nucleares que nunca deixou inspeccionar, apoiado por um declinante centro do império e por um dos seus mais servis lacaios (o Egipto).

25
Jan
10

Gripe A: Um dos maiores escândalos médicos do século

É assim que Wolfgang Wodarg, Presidente da Comissão de Sáude da Assembeleia Parlamentar do Conselho Europeu, se refere ao “embuste” quanto à gravidade da pandemia da Gripe A.
Sem papas na língua, numa entrevista à TSF, refere o negócio da China para as farmacêuticas, responsabilizando a OMS (Organização Mundial de Saúde) no fracasso do diagnóstico e no empolamento da gravidade da situação. Fala também da corrupção e promiscuidades entre as diversas instituições, OMS, Governos e a Industria Farmacêutica.
Ouvir a entrevista aqui

19
Jan
10

“O legado dos Almadiçoados” Compreender o Haiti

Deixo-vos um artigo de António Lassance, publicado na cartamaior.com.

Sob os escombros de sua tragédia, o Haiti carrega o fardo de uma trajetória sabotada. Compreender historicamente como esta região foi sistematicamente arrasada é a única maneira de evitar que se pense, como fez o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que uma maldição se abateu sobre aquele país. Um breve panorama nos permite ver a injustiça contra um povo que tem um legado bendito para toda a América.

A região onde se encontra o Haiti viu, ao longo dos séculos, o massacre de sua população indígena, a escravização de negros trazidos pelo tráfico, a divisão artificial em domínios fabricados ao gosto do colonizador (espanhol e francês), sua separação definitiva em dois – Haiti, de um lado, República Dominicana, de outro –, as tentativas de reconquista colonialista, a permanente intervenção norteamericana e frequentes golpes de Estado, entre eles o que deu origem a uma das ditaduras mais abomináveis que se pode mencionar (de Papa Doc e Baby Doc, de 1957 a 1986).

Esta é a herança que antecipa a extrema dificuldade que haverá para por novamente de pé um país que teve frustradas suas tentativas de construção autônoma e democrática do Estado.

A tragédia que fez o Haiti desabar é mais um golpe sobre um povo com o qual toda a América Latina tem uma dívida histórica. Trata-se de um legado muitas vezes esquecido, calcado em lutas tornadas inglórias. O Haiti foi promotor dos ideais da Revolução Francesa, da luta contra a escravidão, do anti-colonialismo e do americanismo bolivariano.

A região onde hoje se localiza o Haiti e a República Dominicana compunha o complexo das Antilhas, que havia se tornado, no século XVIII, o principal concorrente do açúcar brasileiro. Celso Furtado, no clássico “Formação Econômica do Brasil”, mostrou o impacto que causou o açúcar antilhano, mais barato que o brasileiro, para a decadência daquele ciclo.

Ao final do século XVIII, ajudado pelo desenrolar da Revolução Francesa, a ilha (antes unificada sob o nome de Santo Domingo) foi sacudida pela revolta dos escravos. Confrontados com um povo que reclamava os próprios ideais proclamados pelos revolucionários, os franceses se viram obrigados a reconhecer o fim da escravidão. O fizeram como se fosse uma concessão, embora não houvesse outra opção. Para além da moral revolucionária, os franceses estavam diante de um levante de uma população negra organizada e armada para defender sua república. Enfrentá-la demandaria mobilizar forças que eram essenciais para defender a própria França da invasão estrangeira, patrocinada pelas demais monarquias européias, aliadas ao rei deposto (Luís XVI).

Ao criar uma área livre de escravos, Santo Domingo provocou um efeito importante sobre toda a América. Criou o medo de que sua revolução se espalhasse, mostrou que era possível sobreviver sem escravismo e que se podia confrontar e vencer Napoleão (que queria reconquistar aquele território e trazer de volta a escravidão). A Inglaterra, que vivera a experiência de intensas rebeliões de escravos na Jamaica, conjugou razões suficientes que a levaram a capitanear a luta contra o tráfico: o abolicionismo, o liberalismo e a geopolítica de contenção do domínio francês. Em 1815, o Congresso de Viena, que formalizou a derrota napoleônica, trouxe como uma de suas resoluções a da extinção do tráfico de escravos (mesmo que limitada ao norte do Equador).

Os haitianos foram parte importante do processo que transformou o trabalho assalariado em opção mais vantajosa de exploração do trabalho do que a escravidão. Tornaram a abolição não apenas uma questão moral, filosófica e retórica, mas um tema político de primeira grandeza.

O Haiti foi base de apoio a Bolívar em sua luta pela libertação da América espanhola e portuguesa. O país lhe emprestou soldados, armas e munição, com uma única condição: a de Bolívar libertar escravos onde quer que os encontrasse. A mesma generosidade o levou a apresentar-se como opção para receber negros libertos vindos do Sul dos EUA.

No século XIX, o país foi diretamente afetado pelas doutrinas que propugnavam a supremacia dos EUA sobre todo o continente: a doutrina Monroe (“a América para os americanos”) e a do “destino manifesto”. No século XX, tal política se desdobrou em prática de intervenção sistemática, sendo cunhada por Theodore Roosevelt como o “big stick” (“o grande porrete”).

A política colonialista européia e, depois, americana pesaram sobre o Haiti como uma sistemática sabotagem à estruturação de um Estado igualitário, soberano e capaz de servir como alavanca para o desenvolvimento de seu povo. É curiosa a tese de Samuel Huntington (“O Choque de Civilizações), reproduzida por alguns jornais, de que o Haiti isolou-se do resto do mundo. Infelizmente, ele não teve esta chance.

A falta de Estado explica, agora, a falta de estruturas minimamente preparadas para socorrer pessoas diante da atual tragédia. Consequência imediata: um país que, após o terremoto, tornou-se um retrato daquilo que Thomas Hobbes chamou de Estado de natureza: a luta de todos contra todos, pela sobrevivência imediata. Uma situação em que a vida se torna, mais uma vez citando o filósofo inglês, solitária, pobre, suja, brutal e breve.
Bendito seja o Haiti!

14
Jan
10

Itália. Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.

São 7 e 30 da manhã, cumprindo o ritual diário de uma hora e vinte minutos de viagem para ir trabalhar, ouço na TSF que chega hoje à Grécia uma delegação do FMI (Fundo Monetário Internacional) que ficará toda a semana a escrutinar as contas e finanças da República Grega. Na mala trazem todas as imposições recorrentes para casos como este: diminuição do défice e da dívida pública, reforma da segurança social, congelamento de salários, um programa de privatizações, e a “reorganização” de todos os serviços prestados pelo sector público e da economia. A mesma fórmula foi aplicada na Irlanda e na Islândia. Os Estados com défices resultantes das medidas anti-crise também já levaram o puxão de orelhas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e da UE (União Europeia). Os avisos são claros e peremptórios: ou cumprem as regras do PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento) ou serão alvo de procedimentos e sanções por parte da UE já a partir de 2011.
Esta celeridade nos avisos também chegou a Itália, visto que a sua divida pública atinge os 120% do PIB (Produto Interno Bruto). Porém, o silêncio é ensurdecedor quanto ao actual recrudescimento do racismo como política do Estado italiano. Instituições europeias, Chefes de Estado e de Governo, parlamentos nacionais… nada! O silêncio é total. O primeiro silêncio foi o que se impôs sobre a nova lei que criminaliza as pessoas que ajudarem os imigrantes ilegais ou que não os denunciem às autoridades. A porta da legalidade foi também aberta para a criação de milícias populares de combate aos imigrantes. Os cidadãos são convertidos em delatores, em «chibos», e as associações de apoio e solidariedade com os imigrantes passam a exercer uma actividade ilegal. Como este tipo de afirmações não podem ser feitas de uma forma leviana ou de puro arremesso ideológico, reproduzo as notícias que saíram na imprensa nacional nos últimos dias 8 e 9 de Janeiro.

1. O Governo Italiano anunciou uma nova medida que visa a «integração» das crianças imigrantes, proibindo as turmas escolares de terem mais de 30% de alunos estrangeiros. «As nossas escolas estão abertas às crianças do mundo, mas devem manter com orgulho as nossas tradições», explicou a ministra Mariastella Gelmini.
2. A Liga do Norte (Partido da coligação de Direita, no poder em Itália) quer proibir os muçulmanos de trabalharem nos serviços de limpeza na autarquia de Trento.
3. Bernardino de Rubeis, autarca de Lampedusa, está a ser julgado por declarações que fez em 2008: «Eu não quero ser racista, mas a cadeira dos pretos cheira mal mesmo se for lavada».
4. O Chefe da Liga do Norte, Umberto Bossi, qualificou os negros de Bingo Bongo várias vezes, referindo-se a um filme de 1982 em que Adriano Celentano interpretava um homem macaco.
5. A Liga do Norte propôs ainda reservar carruagens de comboios ou apoios sociais para Italianos.
Evidentemente que, com a ajuda das leis que têm sido aprovadas e com o discurso dos principais responsáveis políticos, o registo de actos de xenofobia, racismo e segregação têm crescido:
6. No jogos de futebol os jogadores negros são «simpaticamente» recebidos com a entoação de cânticos como «Preto de merda» (o último caso ocorreu com Balloteli, jogador do Inter de Milão, numa partida contra a Juventus).
7. Há dias foi espancado um etíope em Florença e agredido um egípcio.
8. Uns dias antes foi organizado, por um autarca também da Liga do Norte, o «Natal Branco», que visava recensear os estrangeiros de Coccaglio (3000 habitantes) e denunciar os clandestinos para, de acordo com a lei, serem deportados.
9. Na imprensa e nos jornais, são dezenas os anúncios publicados para o aluguer de casas que põem como condição «nem animais, nem estrangeiros», «só Italianos, chineses não» ou, mais simpaticamente, «excepto pessoas de cor».
10. A sete de Janeiro, depois de dois jovens dispararem com uma espingarda de pressão de ar contra um grupo de africanos que regressava de um dia de trabalho, ferindo dois deles, instalou-se a revolta entre os milhares de imigrantes do sul de Itália. A principal palavra de ordem proclamava «Não somos animais». Como é evidente, este legítimo e justíssimo grito de revolta não se fez de lenço branco na mão. Houve manifestações pacíficas em frente das instituições de poder da «democracia» italiana, mas também houve carros queimados, montras partidas, caixotes do lixo incendiados e confrontos com a polícia. À boa maneira das milícias populares de outros tempos, uma centena de Italianos armados com bastões e barras de ferro organizaram-se e tentaram forçar, na noite seguinte, uma barricada erguida a centenas de metros das instalações onde se encontravam muitos estrangeiros que tinham participado na revolta. Entre os Calabreses (Italianos de uma província do Sul), segundo o jornal La Repubblica, havia recipientes com gasolina preparados para incendiar os locais onde se encontravam os imigrantes.
11. O Ministro do Interior, interrogado sobre estes acontecimentos, disse: «A Itália tem sido nos últimos anos demasiado tolerante com a imigração clandestina».

Berlusconi, uns dias depois da agressão de que foi vítima, dirigindo-se aos italianos, dizia: «O amor sempre vence o ódio». Enquanto alguns se entretêm com a novela sobra a vida privada de Berlusconi, a Itália está a ferro e fogo. O Estado de Direito há muito deixou de existir, havendo um conflito permanente entre o poder legislativo, que funciona na justa medida dos interesses de Berlusconi, e o poder judicial. O racismo e a xenofobia foram transformados em políticas de Estado, não sendo salvaguardados os direitos fundamentais das pessoas. E tudo isto se passa com o silêncio da comunidade internacional que, com esta atitude, legitima não só a violação dos direitos humanos fundamentais como assiste serenamente à emergência de uma Estado racista.
A Europa e o Ocidente, de uma forma geral, sempre tão rápidos a intervir em várias partes do mundo em nome da democracia e da defesa dos direitos humanos calam-se perante a actual situação italiana. No Iraque, na Bósnia, no Afeganistão ou no Ruanda, são soldados da paz, são libertadores. Dentro de portas são carrascos. As contradições são evidentes. Só que os direitos humanos não têm fronteiras. O silêncio torna-nos cúmplices. Como dizia Sophia de Mello Breyner, «Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar».

11
Jan
10

Imprensa, noticias e opiniões

“A União Europeia vai investir 17 milhões na luta contra a pobreza, tanto quanto gastaram em Dezembro Sporting e Benfica em contratações”. (Manuel António Pina, Jornal de Noticias).

“Aprovação do casamento de pessoas do mesmo sexo foi ontem aprovada na Assembleia da república” (Público).

Bartoon de hoje.

“Pela primeira vez, este ano, a taxa de desemprego diminuiu no distrito de Aveiro – 2010 continua a ser um ano de aumento do desemprego” (Praça Pública, referente aos dados recentes disponibilizados pelo IEFP de Aveiro).

11
Jan
10

Novidades no Blog

A partir deste mês o Envolve-te vai ter rubricas sobre a actividade cultural e de imprensa.
Estas novas rubricas serão periódicas, na cultural pretende-se que pelo menos uma vez por mês façamos referência à actividade cinematográfica, literária, musical e teatral, não serão obrigatoriamente novidades, o critério é a relevância e o conteúdo.
Já a Rubrica de imprensa será semanal, a sair à segunda ou terça feira, que fará referência a pequenos títulos das noticias que marcaram a semana dos principais jornais nacionais.
Começamos hoje…

15
Dez
09

Últimas de Copenhaga

A dois dias do desembarque de mais de 110 chefes de estado e de governo na Capital Dinamarquesa a Cimeira da ONU sobre o clima entrou em colapso em todos os sentidos. Se por um lado, dentro do recinto oficial, os países africanos decidiram abandonar as negociações durante duas horas nos diversos painéis em que estavam presentes pelo facto de que os Países ricos não quererem avançar num corte profundo nas emissões de CO2, por outro lado mais de um milhar de pessoas esperam pelas creditações para poderem estar presente na conferência.
O Bloco Africano, denominado pelo G77, que agrupa 130 países em vias de desenvolvimento mais a China, suspendeu a a sua participação nos vários grupos de negociação em que estavam presentes para denunciar que os Países ricos estão a distanciar-se do Protocolo De Quioto, o único instrumento Internacional existente para lutar contra o aquecimento global, que impõe obrigações aos estados industrializados e protege os países em vias de desenvolvimento. Austrália, Japão, Canadá e outros países estão a conseguir paralisar as discussões sobre Quioto, dizem.
A “morte” de Quioto
“Se aceitarmos esta situação, somos coniventes com a morte de Quioto, o único documento legal e vinculativo existente”, afirmou Kamel Djemouai, delegado argelino e presidente do Grupo.
Umas horas depois, os países africanos voltaram às negociações, depois da Dinamarca assegurar que as conversações se iriam centrar mais nas preocupações que este grupo defende. As nações em vias de desenvolvimento querem que se amplie a sua vigência e estejam protegidas através de um tratado com objectivos diferentes. A maioria dos países ricos quer que o Pós Quioto seja um documento em que contenha obrigações muito semelhantes para todos os países do Mundo para combater o aquecimento global.
“ África deu sinal de alarme para evitar o desastre no final desta semana” afirmou Jeremy Hobbs, director executivo da ONG OXfam International, fazendo referência à Cimeira que na sexta-feira reunirá os 120 chefes de Estado e de Governo, entre eles, Barack Obama, Luiz Inácio Lula e Wen Jiabao (China).
Assim, a possibilidade de a cimeira resultar num fracasso devido às enormes divergências entre os países industrializados e em vias de desenvolvimento tornou-se muito mais visível a cinco dias do seu términos. O conflito recorrente entre os dois blocos, liderado pelos Estados Unidos na parte dos países industrializados sobre a responsabilidade partilhada monopolizou a reunião dos Ministros do Ambiente que se realizou no domingo, reacendendo as tensões.
Por sua vez a China vem demarcar-se da responsabilidade de um eventual falhanço. “Se alguns disserem que a responsabilidade para a não existência de acordo é responsabilidade Chinesa. É uma mentira vil dos países industrializados. Que assumam as suas próprias posições sem utilizar a China como pretexto” assegurou o vice ministro dos negócios estrangeiros, He Yafei, numa entrevista ao financial Times.”
Texto traduzido de um artigo do Kaosenlared. Como fui eu poderá não estar perfeito mas está perceptível.

02
Dez
09

E o Desemprego continua a subir desesperadamente.

Em Novembro a taxa de desemprego em Portugal subiu para os 10,2% aumentando 0,4% desde Outubro (dados do Eurostat).
No que diz respeito ao Concelho de Ovar em Janeiro eram 3125 os desempregados, em Outubro eram já 3780 (dados IEFP). É de referir que estes números não incluem as pessoas que se encontram em lay off, nos cursos de formação profissional e que não se encontram inscritas nos Centros de Emprego e Formação Profissional.
Este é sem dúvida o principal problema e desafio que nos deparamos como país.
Claro que os empregos não se criam por decreto mas se alguém pensar que estratégia está a ser desenvolvida e articulada pelos diversos poderes públicos, sejam eles, nacionais ou locais, o sector privado, os sindicatos, o sector associativo e cidadãos, vemos que não encontramos respostas. São medidas desgarradas e avulsas desprovidas de projecto e mais importante ainda, não se pôs na agenda pública que este tem que ser mais de que um objectivo. Este é um desígnio nacional.

02
Dez
09

O El Dorado?

Ilhas, artificiais, campos de golfe e, complexos de desportos de neve em pleno deserto, edifícios sumptuosos, grandes eventos internacionais, luxo e fama, os cidadãos locais não trabalham, os quadros superiores técnicos são ocidentais ou indianos e muito bem pagos e a carne para canhão (toda a massa operária e comercial) são de toda a Ásia e Médio Oriente com salários de explorados. Era este o sonho vendido pelo Dubai ao Mundo.
E de repente instala-se o pânico, há um buraco de 60 mil milhões de euros que não podem ser pagos porque pura e simplesmente não há dinheiro. Mais uma vez, a irresponsabilidade e irracionalidade da especulação, do crédito e lucro fácil fazem as suas vítimas. Quem fica a perder?
Os bancos uma vez mais vão livrar-se de grande parte dos prejuízos, pois o irmão Abu Dhabi (o outro Emirado Árabe) vai entrar com o dinheiro ou pelo menos avalizar a divida, como o Estado Português fez com o BPN, já os milhares de Paquistaneses, Filipinos, Indonésios, Jordanos, Sírios, etc…, ou seja quem trabalha é que vai ter que se fazer à vida.
Aqui, em Portugal, no Japão, no Dubai ou onde quer que seja, quem se lixa é sempre o mexilhão.

27
Nov
09

Ai Portugal, Portugal…

Primeiro, processaram jornalistas, depois pressionaram os meios de comunicação social, seguiu-se o caso com o Presidente da República e agora os juízes acusam o governo de pressão e condicionamento sobre o poder judicial. Do ponto de vista “dos garantes “ do Estado de Direito e Democrático a realidade dificilmente poderia ser pior. A somar a tudo isto o estado do País é caótico, os casos de corrupção com participação directa ou indirecta de governantes, ex-governantes e empresas do estado sucedem-se, o Tribunal de Contas não valida um único concurso público feito aos negócios das construtoras das auto-estradas, o país está em recessão, o desemprego real ultrapassa os 10%, o défice das contas públicas e o endividamento público começam a ser assombrosos e a crise económica e social, não a financeira, aprofunda-se cá e em praticamente todo o Mundo (com relevância, excepto no Brasil, na China e no caso muito particular da Bolívia, mas por razões diferentes).
Os avisos já começaram a soar, a União Europeia e a OCDE já disseram que Portugal em 2011 tem que começar a convergir de forma sustentável para os valores do Pacto de Estabilidade e Crescimento e as agências de rating já disseram que Portugal vai começar a pagar juros mais caros quando se financia no exterior.
Por isso começamos a saber perfeitamente o que aí vem, mais impostos sobre as pessoas e empresas, desinvestimento nas políticas sociais, desinvestimento nos serviços públicos, congelamento dos salários e a partir de 2011 privatizações ao desbarato. Digamos as coisas como elas são: Vamos empobrecer.
Para finalizar este quadro negro, falta dizer, que o distanciamento dos cidadãos com a política é cada vez maior (não pela palavra politica, mas sim, porque na maior parte das vezes é muito mal frequentada), o governo é minoritário, o Primeiro-ministro para ser simpático tem uma aura que de anjo sabemos que não é e a sua imagem pública degrada-se diariamente.
Temos o caldo perfeito, um a crise social, uma crise económica e uma crise política.
Hoje mais que nunca é tempo de estar vigilante e actuante, são tempos demasiado importantes para taparmos os olhos e virar-mos as costas, porque não podemos fugir, eles virão bater-nos à porta.

23
Nov
09

Recibos Verdes: “Antes da dívida temos direitos”

“A deterioração das relações laborais avança em Portugal a um ritmo avassalador, com perda de direitos e erosão das condições de vida para sectores cada vez mais vastos da população. A par do aumento do desemprego, há hoje cerca de 2 milhões de pessoas em situação de precariedade, sujeitas à arbitrariedade dos patrões, obrigadas a aceitar os baixos salários e a incerteza, à margem do enquadramento legal, da protecção social e das garantias mínimas. A chantagem social individualiza as relações laborais para enfraquecer a parte mais fraca: os trabalhadores/as.”

“Assim, há hoje milhares de trabalhadores/as a recibos verdes que viram acumular-se uma dívida à Segurança Social, que, nas suas condições, não conseguem saldar. Uma dívida quase sempre contraída numa situação que, além de injusta, é ilegal. É uma dívida contraída porque os patrões não descontaram o que deveriam, se a esse trabalho correspondesse o contrato de trabalho devido; é uma dívida contraída por milhares de pessoas que nunca tiveram direito aos subsídios de férias ou de Natal; é uma dívida contraída por pessoas que, por serem cinicamente consideradas empresários/as, nunca tiveram apoio na doença ou no desemprego.”
É sobre o verdadeiro atentado que é a vida ganha através de um recibo verde e que a precariedade já se confunde com um modo de vida, que podes assinar a justissima petição: “Antes da divida temos direitos” em http://antesdadividatemosdireitos.org




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