Uma reflexão sobre escolhas.
Uma manifestação de vontades.
Passadas três eleições onde os cidadãos e cidadãs elegeram os seus representantes, escolheram as ideias e os programas que os governarão, põe-se então a seguinte questão: E agora?
Alguns poderão achar esta pergunta completamente despropositada pois aquilo que crêem já lhes foi pedido, a escolha através do voto, está feita, sendo agora a governança pública problema e responsabilidade dos eleitos.
Se muitos têm esta opinião, muitos outros não a têm e é neste último grupo que nós nos incluímos. Recusamos este modelo de serviços mínimos da prática democrática, amorfa e claustrofóbica, onde através de uma espécie de delegação de poder os cidadãos e cidadãs se demitem de participar e vigiar a qualidade da democracia, acantonando-se no discurso de que querem é que lhes resolvam os problemas e façam alguma coisinha pelas pessoas, pelas cidades e pelo país. A nossa escolha é outra: democracia participativa.
O que está em questão é o tipo de democracia que queremos e essa escolha é responsabilidade de cada um, individual e colectivamente. Em nosso entender, a escolha é entre a indiferença e a participação, o imobilismo e a intervenção, a desresponsabilização e o comprometimento. A escolha que fazemos é entre uma sociedade consciente, exigente e participativa ou uma sociedade descomprometida e individualista.
Os tempos que vivemos são tempos difíceis: o desemprego não pára de aumentar, o pouco trabalho disponível que existe é precário e sem direitos, as oportunidades rareiam. No entanto, a corrupção, o favorecimento e o compadrio parecem instalar-se como práticas correntes provocando uma convivência social amena e cordata com a fraude e o crime. E isto é preocupante. Igualmente preocupante é a completa resignação e desesperança que se instalou nas pessoas. É pois urgente que novas formas, novos actores e novos projectos de intervenção social emerjam, se desenvolvam e procurem resgatar as pessoas para a participação. São necessários projectos que rompam com a passividade e o imobilismo, que sejam capazes de intervir sobre as mais diversas áreas das nossas vidas – do saneamento básico ao cinema independente, do emprego à ecologia, da rodovia à ferrovia, das patentes ao software livre, do desporto à política, da cultura ao lazer -, que recusem tabus, que encontrem novas formas de organização – da tertúlia ao teatro do oprimido.
Todas estas e outras questões do quotidiano das comunidades estão em permanente conflito, mas também em permanente construção. Alhearmo-nos deste processo, demitirmo-nos de participar significa a nossa disponibilidade para que decidam por nós e nos roubem o direito à indignação.
Porque cremos que este não é o caminho, anuncia-mos que um novo projecto vai surgir na cidade com o objectivo de construir um espaço alternativo, de liberdade, de acção e pensamento, movido pela energia das pessoas que se queiram comprometer com a emancipação, que recusem o conformismo e que se empenhem na denúncia dos problemas e na construção das soluções.
Este projecto pretende ser uma plataforma que reúna ideias e vontades, que tenha uma agenda que seja a agenda de todos aqueles e todas aquelas que querem fazer coisas e encontrar parceiros para a sua consecução; um projecto que quer saltar da mesa do café onde todas e todos falamos, nos lamentamos, propomos, discutimos, dizemos as coisas mais inteligentes do mundo mas que acabam por ser quase sempre inconsequentes porque nunca saem daquele lugar e desaparecem entre um copo e um cigarro.
É este o desafio que te lançamos! Também ele está na tua mão.
Uma vez mais a decisão é tua.