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O AVANÇO DO MAR E AS OBRAS DE DEFESA COSTEIRA

Um exemplo Brasileiro, mais propriamente o do estado de Alagoas.

Artigo recebido e-mail por Marco Antônio de Lyra Souza – Engenheiro Civil Especialista em Obras Costeiras

As fotografias publicadas em baixo, referencia cada uma das obras do Bagwall já implantadas no Brasil. A sequência cronologica irá ser a mesma da numeração das fotos. Iniciando por Japaratinga (6 anos de construída), Ponta Verde ( 5 anos de construída), Barra Nova (1 ano de construída).

A histórica e crescente ocupação da zona costeira aumentou significativamente a demanda por obras de infra-estrutura. Este fato resultou da intensa construção de obras, tais como, estradas, ferrovias, portos, etc. É comum a implantação destes empreendimentos próximos ou sobre os sistemas de dunas costeiras. Salienta-se que estes empreendimentos, quando mal localizados, acarretam prejuízos imensuráveis aos cofres públicos, que passam a administrar problemas em vez de gerar soluções compatíveis. No litoral do Brasil, existem inúmeros exemplos de destruição de empreendimentos públicos e privados, como conseqüência da má localização. Surgem assim as estruturas rígidas como muros de contenção, espigões, enrocamentos, gabiões, quebra-mares, que além de descaracterizarem a paisagem natural e identidade da frente de praia, na maioria das vezes constituem-se numa tentativa frustrada de conter o avanço do mar. No litoral, existem escombros de obras de defesa costeira em áreas urbanas, na maioria das praias.
Observando-se o que está ocorrendo nas praias de Atafona, Bugia, Barra de Santo Antônio, Barra Nova, Baia da Traição, Cabo Branco, Icaraí, Iparana, Janga, Mucuri, Piedade, Pontal D’Areia dentre outras existentes no litoral brasileiro, verifica-se que o quadro existente é caótico.
É preciso analisar o problema dividindo as ações a serem adotadas em duas etapas: ações de curto prazo e ações de médio prazo.
Nas ações de curto prazo estão as emergências que ocorrem nas áreas já urbanizadas, onde as opções podem ser a remoção da população existente do local, como ocorreu no Povoado Cabeço em Sergipe, ou torna-se necessário a execução de obras de defesa costeira para conter o processo erosivo, como resposta ao desastre, a exemplo do que ocorreu na praia do Janga, Município do Paulista em Pernambuco. Lá foram construídos espigões, quebra-mares emersos e engorda artificial de praia.
Nas ações de médio prazo que também são urgentes, faz-se necessário a implantar o Zoneamento Econômico e Ecológico Costeiro, em todos os municípios litorâneos, para que a partir da determinação dessas áreas, inclusive incluindo-as nos respectivos planos diretores das cidades, sejam elaborados planos de gerenciamento costeiro integrados, como instrumento para garantir o crescimento sustentável do litoral brasileiro.

Partindo da premissa da Teoria do Caos, pode-se afirmar que o ambiente litorâneo é um sistema dinâmico não-linear, onde as implicações de seus integrantes individualmente são aleatórias e não previsíveis. Estes sistemas evoluem no tempo e no espaço, com um comportamento desequilibrado e aperiódico, onde seu estado futuro é extremamente dependente de seu estado atual, e pode ser mudado radicalmente a partir de mudanças no presente.

No geral a linha de costa é a fronteira da intercessão do ar, do mar e da terra. As interações físicas, que ocorrem nesta fronteira são por isso únicas, complexas, e difíceis de compreender. A linha da costa como um todo, e como parte integrante desta costa, as praias em particular, são sistemas extremamente dinâmicos e de uma variação continua no tempo e no espaço. Embora seja a costa esse ponto de intercessão entre o ar, o mar e a terra, a energia que a margem, sistema costeiro ou linha de costa absorve advém na sua maioria do mar. Facilmente pode-se assim concluir que as praias e as zonas costeiras são as regiões onde se faz sentir a ação energética do mar sobre os continentes.
Em regra, é a costa o obstáculo sobre o qual a onda acaba por dissipar a totalidade da sua energia, num processo extremamente complexo, genericamente designado por rebentação.
Os ventos são os grandes responsáveis pela dinâmica costeira, seu papel não se restringe a originar ondas, e por conseqüência, as correntes litorâneas. As ondas e as correntes marítimas transportam grandes quantidades de grãos de areia que são parcialmente depositados na praia.
A areia acumulada e exposta ao ar, após seca, é transportada por ventos dominantes para locais mais elevados da praia. Grandes quantidades de areia se deslocam ao longo das linhas de costa.
O ambiente litorâneo se comporta como um sistema dinâmico, nele a evolução de uma condição inicial se for analisado o mesmo sistema, sob outras condições iniciais, ele assumirá outros caminhos e mostrar-se-á totalmente diferente do anterior.
Já reparou nas formas do litoral? Será que existem ilhas quadradas?
A modelagem da linha de costa deve-se a um conjunto de forças complexas que atuam no ambiente costeiro, formando o padrão existente.
Antes de decidir qual alternativa escolher para controlar a erosão litorânea é necessário observar os seguintes fatores: Durabilidade da obra; Disponibilidade do material para construção; Custo de implantação; Impactos ambientais; e custo de manutenção da obra. É de fundamental importância observar o custo/benefício das obras implantadas, onde muitos municípios têm dificuldades financeiras para manter as obras em funcionamento.
Portanto, é importante observar na escolha da alternativa a ser utilizada para obra de defesa costeira, os seguintes critérios: A obra não deve interferir na dinâmica sedimentar, ser resistente e durável, conter o avanço do mar, dissipar a energia do trem de ondas, facilitar o acesso da população a praia recreativa, harmonizar a obra com o ambiente de forma a torná-la menos impactante, não transferir o processo erosivo para áreas adjacentes, promover a recuperação do perfil praial, e ter baixo custo de manutenção.
Em Alagoas, foram construídos três dissipadores de energia do tipo barra mar “Bagwall”, cujo sucesso resultou em benefícios ambientais obtidos no controle da erosão marinha. As três obras foram realizadas em condições geológicas, morfológicas, geográficas e hidro- dinâmicas completamente distintas, e apresentaram o mesmo resultado final: Contenção do avanço do mar sem transferir o processo erosivo para áreas adjacentes; Recomposição do perfil de praia com engorda natural no local da intervenção; Facilitação do acesso à praia recreativa da população; Manutenção da obra com custo muito baixo.
É de fundamental importância observar que nos locais onde o Bagwall foi construído, antes havia erosão, após sua construção passa a ter a engorda natural com tendência ao equilíbrio do perfil da linha de costa.
Isto induz a observação de que o processo dissipativo é tido como fonte de ordem em um sistema caótico como o das praias e zonas costeiras. As coincidências constantes nos três casos apresentados nas fotos abaixo relacionadas indicam ser fundamental expandir-se a experiência, inclusive utilizando-as em outras regiões.

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1 Response to “O AVANÇO DO MAR E AS OBRAS DE DEFESA COSTEIRA”


  1. 1 roni
    09/03/2010 às 13:39

    CLASSIFICO O ARTIGO DO DR. MARCO LYRA, COMO EXCELENTE, POIS O PROBLEMA DO AVANÇO DO MAR É TRATADO COM MUITA SERENIDADE E CONHECIMENTO DE CAUSA.QUANDO ELE DIZ QUE A LINHA DA COSTA É A FRONTEIRA DA INTERSECÇÃO DO AR, DA ÁGUA E DA TERRA, LOCAL ONDE SE CONCENTRAM AS INTERAÇÕES FÍSICAS, CREIO QUE É NESSE PONTO O LOCAL DA POSSÍVEL INTERVENÇÃO E NÃO DENTRO DO MAR.

    PARABENS DR. MARCO.

    ABRAÇOS.

    RONI.


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